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Associativismo Juvenil de Inspiração Cristã

Cada início de ano pastoral é sempre uma altura ideal para pensar e reflectir sobre a realidade que nos rodeia e o papel da comunidade cristã, como fermento e sal da sociedade humana.

N/D
2 Out 2004

Reflicto, hoje, acerca do impacto da existência dos grupos de jovens, sejam eles de índole paroquial, ou de filiação a algum movimento eclesial, tanto na vida da Igreja, como no quotidiano social.

Primeiramente, há que definir o conceito do que é ser jovem. Podemos defini-lo tanto ao nível de faixa etária (dos 18 aos 35 anos, como é usual actualmente), ou ao nível do espírito, pois ter um espírito jovem pode ser o requisito sine qua none para pertencer a um grupo, apesar de etariamente passar a barreira dos anos.

Os jovens sempre foram e são uma grande aposta da pastoral da Igreja. Muita coisa se faz para ter jovens nas celebrações litúrgicas. Promove-se o seu envolvimento na distribuição de tarefas, permite-se o uso de instrumentos de corda e doutros nas Eucaristias. Contudo, no meu ponto de vista, a sua participação parece ficar apenas pelo exterior e não se torna num verdadeiro compromisso com a estrutura eclesial. Basta entrarem para o ensino superior, começar um namoro ou casar e lá se vão eles para outras bandas.

Na sociedade hodierna, o papel do jovem está esvaizado. Há uma perda de peso e de influência dos jovens. Se há algumas décadas um jovem universitário era respeitado e interventivo, hoje, o mesmo não se passa assim. Outro sinal é a diminuição da influência das associações de estudantes e das associações partidárias. Tudo parece um trampolim para outros degraus…

Penso que a Igreja tem de olhar com olhos de ver para a realidade da pastoral juvenil actual. É certo que muito se faz, ao nível dos Secretariados Diocesanos e dos Movimentos, mas ao nível paroquial, esta fica muito aquém das expectativas.

Todos se preocupam em ter jovens nas celebrações, mas primeiramente há que promover a sua formação humana e cristã. As reuniões de muitos grupos resumem-se a um encontro semanal de amigos e a convívios. Os próprios animadores embarcam nesta rotina e desleixam-se, talvez com o medo de perder os jovens. Aqui está o calcanhar de Aquiles. É preciso coerência de vida e empenhamento. A vida cristã não é fácil de viver, é um contínuo desafio, e os jovens gostam de desafios e de ser confrontados com modelos a seguir.

Para tornar tudo mais atractivo, a paróquia poderá criar ou ceder espaços para o convívio da juventude, como complemento às reuniões de formação. Poderão surgir cafés, bares, discotecas, ginásios de inspiração cristã. Na nossa vizinha Espanha existem experiências neste sentido, com bons resultados. Como poderão os jovens cristãos estarem na missa da manhã, na paróquia, se estiveram até altas horas da madrugada na discoteca? Há que dar alternativas.

Poderão mesmo constituir-se em associações juvenis de inspiração cristã, registadas no Instituto Português da Juventude, de forma a dar voz e visibilidade aos grupos de jovens das paróquias. Muitas das actividades que promovem, como debates, acções de formação, campos de férias, jogos, entre outros, poderiam mesmo receber apoios financeiros do IPJ, desde que estejam legalmente reconhecidos.

Esta era mesmo uma boa oportunidade de manifestar a presença do associativismo cristão na sociedade actual. Poder-se-iam constituir federações a nível diocesano e até uma confederação nacional, possibilitando assento por inerência nos conselhos na-cionais e locais da juventude.
Dá trabalho fazer isto, mas é uma verdadeira aposta e quem arrisca…




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