Fotografia:
2 de Outubro de 1928 – Fundação do Opus Dei

Os sinos da igreja de Senhora dos Anjos em Madrid repicavam no dia da sua Padroeira. Ali perto, fazia o seu retiro um jovem sacerdote na Casa Central dos Padres de S. Vicente de Paulo. Na altura com 26 anos, «viu» o que desde os 16 anos pressentia. Sentia que Deus o queria para determinada missão, só que não sabia o que era. Soube-o nessa altura – a partir daquele momento nasceu uma obra que mais tarde se viria a chamar Opus Dei.

N/D
2 Out 2004

Estamos a referir-nos a Josemaría Escrivá de Balaguer que o Santo Padre João Paulo II canonizou a 6 de Outubro de 2002, na Praça de S. Pedro repleta de fiéis.
Dos numerosos escritos que nos deixou São Josemaría Escrivá, queria referir-me hoje a um tema que lhe era muito querido – o cultivo das Virtudes Humanas, que dá o título a uma das suas homilias compiladas na obra Amigos de Deus.

Foi um apaixonado do trabalho bem feito, constante, intenso e ordenado. Tinha e propunha um verdadeiro programa de vida: santificar o trabalho, santificar-se com o trabalho e santificar os outros com o trabalho. Aqui encontramos tudo: perfeição no trabalho; presença de Deus durante o trabalho; apostolado com o trabalho.

Daqui surgem a laboriosidade e a diligência. Desde a Fundação do Opus Dei, em 1928, não se cansou de pregar que o trabalho não é uma maldição, mas uma participação na obra criadora de Deus. Jesus, perfeito homem e perfeito Deus escolheu, na sua vida terrena, um trabalho manual que realizou durante toda a vida.

Mas foram muitas as virtudes humanas que praticou e pregou. Continuemos com a fortaleza, serenidade, paciência e magnanimidade. Diz numa das suas homilias: “Viver é defrontar dificuldades, sentir no coração alegrias e pesares; e é nesta forja que o homem pode adquirir a fortaleza, a paciência, a magnanimidade e a serenidade. (…) Fortes e pacientes: serenos. Mas não com a serenidade daquele que compra a tranquilidade pessoal à custa de se desinteressar dos seus irmãos ou da grande tarefa, que corresponde a todos, de difundir ilimitadamente o bem por todo o mundo”. A serenidade no meio das tribulações vem-lhe da certeza que é filho de Deus e que em Deus sempre existe o perdão. A serenidade conduz-nos à paciência, à calma para estudar as situações que se nos deparam e depois agir com decisão.

A magnanimidade “é a força que nos dispõe a sairmos de nós próprios, a fim de nos preparamos para empreender obras va-liosas, em benefício de todos”.

Foi sempre um homem que amou a verdade e justiça. Afirma a dado momento: “Se formos verazes, seremos justos. Nunca me cansarei de falar de justiça, mas aqui só podemos apontar alguns aspectos, sem perder de vista qual é a finalidade de todas estas reflexões: edificar uma vida interior real e autêntica sobre os alicerces profundos das virtudes humanas”.

Quanto à virtude da temperança deixa-nos estas palavras tão actuais: “A temperança torna a alma sóbria, modesta, compreensiva; facilita-lhe um recato natural que é sempre atraente, porque se nota o domínio da inteligência na conduta. A temperança não supõe limitação, mas grandeza”.

A virtude da prudência merece-lhe uma distinção entre a verdadeira e a falsa prudência que não é senão astúcia ao serviço do egoísmo e que não olha a meios para atingir os fins. “O primeiro passo da prudência é o reconhecimento das nossas limitações: a virtude da humildade. Admitir, em determinadas questões, que não conseguimos chegar a tudo, que não podemos abarcar, em tantos e tantos casos, circunstâncias que é preciso não perder de vista à hora de julgar. (…) Depois, é necessário julgar, porque a prudência exige habitualmente uma determinação pronta e oportuna. Se às vezes é prudente atrasar a decisão até conseguir todos os elementos do juízo, noutras ocasiões seria uma grande imprudência não começar a pôr em prática, quanto antes, aquilo que julgamos necessário fazer, especialmente quando está em jogo o bem dos outros”.

O cristão que procura cultivar as virtudes humanas não se sente inferior ou infeliz, pois sabe que é filho de Deus e que com Maria, nossa Mãe, terá sempre essas virtudes como fundamento das virtudes sobrenaturais e com elas trabalha para um mundo melhor de paz e felicidade.




Notícias relacionadas


Scroll Up