Fotografia:
Turismo e Desporto: instrumentos de paz e compreensão mundiais

É evidente que cada turista e cada desportista pode e deve ser um instrumento da paz e da compreensão mundiais. Vale a pena meditar nisto

N/D
1 Out 2004

Na Segunda-feira desta semana celebrou-se o XXV Dia Mundial do Turismo. Como tantos outros dias de tantas outras coisas que a mera repetição mecânica torna banais, confesso que a jornada me teria passado despercebida não fosse a leitura das excelentes mensagens, quer a do Papa João Paulo II, quer a que, conjuntamente, foi elaborada pelo Secretário-Geral da Organização Mundial do Turismo e pelo Presidente do Comité Olímpico Internacional, de que o DM deu notícia oportunamente.

Em ambos os textos perpassa a ideia nodal de que, cada vez mais, o turismo e o desporto se entrelaçam e se condicionam mutuamente e que a associação das duas actividades pode e deve ser potenciada em ordem a favorecer os objectivos da paz e da boa vontade entre os povos e as nações. E ninguém melhor do que nós, portugueses das cidades onde decorreram os jogos do Euro2004, pode avaliar a justeza e acerto daquelas mensagens.

Na verdade, este grande evento internacional, que tanto honrou a imagem e o prestígio do nosso país, foi pretexto para que se deslocassem até cá milhares e milhares de adeptos estrangeiros que, assim, durante alguns dias, connosco conviveram, conhecendo os nossos costumes, língua, cultura, gastronomia e paisagens. E mesmo àqueles que a Portugal não puderam vir foi proporcionado, através da televisão e da imprensa, o conhecimento do nosso país e da idiossincrasia das suas gentes.

Julgo, aliás, que os holandeses que tivemos o prazer e a honra de receber aqui, em Braga, jamais esquecerão os momentos de festa, convívio e alegria que esta augusta cidade lhes proporcionou e estou certo que a amizade que mutuamente assim se forjou irá promover o aprofundamento das relações entre esse povo e o desta cidade e deste país, dessa forma contribuindo para um melhor conhecimento e compreensão recíprocos, em ambiente de tolerância e paz.

Ora, é precisamente sobre esta aliança estratégica entre o turismo e o desporto e os seus excelentes resultados ao nível do intercâmbio de valores, culturas e línguas que as referidas mensagens nos pretendem fazer reflectir. E, deve acrescentar-se, que com muita pertinência e grande sentido de oportunidade o fazem, sobretudo quando as esperanças numa nova ordem internacional, mais pacífica e mais justa, parecem esfumar-se sob a doutrina arrogante e unilateralista que a administração americana teima em afirmar na cena mundial, apesar do rotundo fracasso da intervenção no Iraque.

Mais do que nunca, a segurança e a paz no mundo dependem da concreta afirmação da solidariedade internacional e dos direitos dos indivíduos, num quadro de franca expansão da liberdade e da democracia. E o êxito de tal combate passa, necessariamente, por um conhecimento mútuo mais profundo e reforçado entre os povos e as nações.

Crendo, como creio, no ditado popular que proclama que “longe da vista, longe do coração”, afigura-se-me ser preciso aproveitar tudo quanto nos possa aproximar mais uns dos outros, para que, assim, nos passemos a preocupar e interessar pelos problemas alheios, a respeitar os valores e identidades dos nossos semelhantes e, em suma, a amar o próximo como Cristo ensinou.

Muito prosaicamente, o turismo e o desporto podem, pois, proporcionar-nos a consecução desse objectivo fundamental, com a vantagem não despicienda do desenvolvimento económico e social dos países e regiões que os souberem incrementar e qualificar.

Ponto é que, como afirma o Santo Padre, se expurguem aquelas actividades dos abusos e desvios que ofendem a nobreza das suas finalidades, entre os quais argutamente mencionou o «mercantilismo exacerbado, a competitividade agressiva, a violência contra as pessoas e as coisas, até chegar à degradação do meio ambiente ou à ofensa da identidade cultural de quem acolhe» alguns eventos.

Com esta salvaguarda, é evidente que cada turista e cada desportista pode e deve ser um instrumento da paz e da compreensão mundiais. Vale a pena meditar nisto.




Notícias relacionadas


Scroll Up