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Portugal degenerado!

É assim, em Portugal. Escolhem-se as pessoas para os cargos políticos, não pelas provas já dadas de obra feita, mas só pelos lindos olhos ou facilidade de palavreado balofo…

N/D
1 Out 2004

O escândalo, descalabro e vergonha da última colocação de professores e abertura de aulas, tardias e desordenadas, deixaram os portugueses (a mim também, claro!) envergonhados, tristes e justificadamente indignados. Para um Portugal que se diz candidato às primeiras carruagens da Europa isto é o melhor atestado de inconsciência.
Atrasados como somos quando comparados com nossos parceiros da União, continuamos a dar provas de inferioridade que nos amesquinha. Que Portugal é este, decorrido mais de trinta anos após a revolução de Abril, que tem uma «Justiça que bateu no fundo» (José Miguel Júdice), uma saúde pública que obriga o Presidente da República a prometer defendê-la, contra tudo e contra todos, para que não se arruíne ainda mais, mas sobretudo que Portugal é este que, com tantos ministros da Educação, tantas reformas e contra-reformas, não consegue programar as coisas a tempo e horas, a fim de que não se verifique, todos os anos mas no corrente muito pior, esta amargura, escandalosa e causadora de irreparáveis prejuízos, da abertura do ano lectivo!? Todos os anos promessas e mais promessas que só têm redundado em fracassos atrás de fracassos!

Quem assistiu (eu fui um deles) ao penúltimo “Prós e Contras”, onde a Ministra da Educação até estava pálida de tanta aguilhoada, ficou, certamente, indignado e com vergonha de ser português… Parece que os responsáveis, quando são dos grandes, ficam sempre incólumes e serenos. Ninguém lhes toca nem querem chamar à pedra. Porque Nobre Guedes cortou a direito sobre o desastre de Matosinhos, aqui d’el-rei, que deveria ter sido mais diplomata e ser melhor camarada…

David Justino – todos dizem – teve culpas do que está a acontecer na colocação de professores. Quem o chama à pedra? Apressou-se a reocupar o lugar de deputado e a ficar caladinho, sem remorsos…

É assim, em Portugal. Escolhem-se as pessoas para os cargos políticos, não pelas provas já dadas de obra feita, mas só pelos lindos olhos ou facilidade de palavreado balofo… Depois, mesmo que pouco ou nada tenham feito, são substituídos mas encontram logo cargos de prestígio e proveito próprio por oferta de quem os demitiu…

Sejam escolhidos os efectivamente melhores, mas, se errarem escandalosamente, sejam chamados à pedra! O País pagou-lhes para mostrarem que valem o que ganham. Lastimo-te (e a mim), meu Portugal degenerado!…




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