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O Desporto e o Homem

A prática correcta do desporto há-de ser uma preocupação dos que orientam a gente nova. Estou a lembrar-me, por exemplo, do muito que pode ser feito – e certamente que vem sendo feito – pelos treinadores e pelos responsáveis de clubes e associações desportivas

N/D
30 Set 2004

A propósito do Dia Mundial do Turismo, que se celebrou em 27 de Setembro, João Paulo II sugeria, uma vez mais, uma reflexão sobre o desporto, realçando a forma como este pode contribuir para uma sã convivência entre os homens.
Correctamente praticado – acompanhado da temperança e da educação à renúncia – o desporto não deixa de ter grandes vantagens: exige um bom espírito de grupo, atitudes de respeito, apreço pelas qualidades do próximo, honestidade no jogo e humildade para reconhecer os limites pessoais. Nas suas formas menos competitivas convida a uma celebração festiva e a uma convivência caracterizada pela amizade.

O cristão pode encontrar no desporto uma ajuda para desenvolver as virtudes cardeais da fortaleza, da temperança, da prudência e da justiça.

Proporciona ocasiões de encontro entre diferentes povos e culturas, num clima de bom entendimento e de harmonia.

Recordando um discurso proferido em 28 de Outubro de 2000, por ocasião do Jubileu dos Desportistas, João Paulo II exortava à promoção de «um desporto que salvaguarde os mais frágeis e não exclua ninguém, liberte os jovens do risco da apatia e da indiferença, e suscite neles um sadio espírito de competição; um desporto que seja um factor de emancipação dos países mais pobres e contribua para eliminar a intolerância e para construir um mundo mais fraternal e solidário, um desporto que contribua para fazer com que a vida seja amada e a fim de que se eduque para o sacrifício, o respeito e a responsabilidade, levando à plena valorização de cada um».

Não sendo a única, o desporto é uma forma de ocupar os tempos livres. Isto, para as pessoas de todas as idades.

A prática correcta do desporto há-de ser uma preocupação dos que orientam a gente nova. Estou a lembrar-me, por exemplo, do muito que pode ser feito – e certamente que vem sendo feito – pelos treinadores e pelos responsáveis de clubes e asso-ciações desportivas.

Que uns e outros se preocupem, não apenas com a formação do desportista, mas, acima de tudo, com a formação do homem. Que se não esqueçam das suas responsabilidades educativas.

Que os adolescentes e jovens sejam ensinados a recorrer à habilidade e não à violência. Que a técnica substitua o abuso da força. Que sejam aconselhados a agirem sempre com lealdade, vendo no outro não um inimigo mas um irmão e respeitando a sua dignidade de ser humano criado à imagem de Deus.

Que os ensinem a praticar o desporto com desportivismo. A saber ganhar e a saber perder. A não se endeusarem com o triunfo e a não desanimarem com o fracasso. Que reconheçam o mérito e as qualidades dos outros. Dos da mesma equipa e dos da equipa adversária. A actuarem como quem tem a consciência de que faz parte de uma equipa, de que os outros também existem, de que devem pôr de lado todas as manifestações de egoísmo e de individualismo exibicionista.

Que se eliminem do desporto «o mercantilismo exacerbado, a competição agressiva, a violência contra as pessoas e as coisas».

Que a gente nova seja ensinada a conciliar a prática desportiva com o cumprimento dos seus deveres. Que se lhe mostre como se pode praticar o desporto e estudar, praticar o desporto e frequentar a catequese, praticar o desporto e participar na eucaristia dominical. O desporto não deve ser visto como uma obsessão, mas pode e deve haver tempo para tudo.

Que se ajudem os adolescentes e os jovens a terem uma correcta escala de valores, a saberem fazer em cada circunstância as opções mais correctas, a terem a coragem de, a qualquer momento, estarem onde devem estar para fazerem bem o que aí deve ser feito.




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