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Assumir responsabilidades

O único sítio em que o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário (John Ruskin)

N/D
30 Set 2004

Muito se tem escrito sobre o atraso na colocação dos professores, e ainda mais se tem discutido sobre este assunto nos diversos meios de comunicação. A maioria das opiniões é, contudo, analisada de uma perspectiva meramente política, e raras vezes é feita uma análise técnica.

A Compta é uma conceituada empresa ligada aos sistemas de informação, com larga experiência na concepção de sistemas informáticos, vencedora do concurso para conceber o programa que, supostamente, faria a colocação automática dos professores nas respectivas escolas.

Partindo do princípio, bastante subjectivo, que a escolha desta empresa foi, realmente, a mais apropriada, seria de esperar que não existissem problemas no produto final. No entanto, qualquer pessoa que perceba um pouco sobre a criação de soluções informáticas, constatará que, muito dificilmente, o comportamento do programa seria perfeito logo na primeira utilização. O que não se esperava era que o resultado fosse de tal forma desastroso.

A Compta afirma que não se tratou de um problema técnico. Por sua vez, o Ministério revela que o sistema informático foi a razão do problema, daí o recurso ao método tradicional. Todavia, nenhuma das partes deve refutar responsabilidades, e este é, sem dúvida, o ponto fulcral desta minha opinião.

Um assunto desta importância não deve ser tratado de ânimo leve, e todo o processo de colocação deveria ter sido realizado de uma forma mais profissional, responsável e sensata.

Se o objectivo era informatizar, automatizar e facilitar todo o processo de colocação dos professores recorrendo a um sistema informático, então a solução mais sensata seria fazê-lo de forma gradual, durante dois ou três anos, corrigindo erros e optimizando eventuais soluções. Isto significaria que, durante estes dois ou três anos, o método tradicional teria que ser utilizado simultaneamente, comparando resultados e possuindo uma espécie de rede de segurança contra imprevistos. Um período de experiência ao comportamento do software é absolutamente fundamental.

Adicionalmente, os funcionários do Ministério deviam possuir um conhecimento profundo do funcionamento do programa, conhecimento esse proporcionado por elementos da empresa responsável. Deste modo, seriam evitados erros na inserção de dados no respectivo programa, como foi amplamente divulgado como uma das razões do problema.

Concluindo, a responsabilidade deve ser imputada às duas entidades, sendo que o Ministério, como entidade governamental, necessita rever os seus processos e ter em conta que a educação é um dos bens mais preciosos e importantes de uma sociedade em crescimento.




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