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O analfabetismo e professores desempregados

A crise avisou, a tempo e horas; mas, como sempre, ninguém fez caso

N/D
28 Set 2004

A classe dos professores vive angustiada, não tanto pela deficiência das colocações a desoras, mas sobretudo por causa da falta de trabalho para milhares de docentes.
A crise da natalidade foi tão profunda e provocou tantos encerramentos de escolas que uma grande parte dos professores, que sempre tiveram acesso ao ensino, ficaram desempregados.

Naturalmente que a crise é de difícil solução e coloca-se num círculo vicioso.

Por um lado, não há crianças, porque os pais desempregados não têm condições económicas para as criar; por outro, para os professores não há trabalho porque, sem alunos, não pode haver escolas abertas.

A crise avisou, a tempo e horas; mas, como sempre, ninguém fez caso.

Agora, apareceu em tal dimensão que não dá para mais adiamentos.

Embora sem soluções perfeitas e imediatas, é altura de se fazer qualquer coisa, não com o intuito de solucionar definitivamente a questão, mas, pelo menos, para aliviar a angústia do professorado.

O analfabetismo em Portugal tem diminuído, ultimamente, mais pelos óbitos verificados na população do que pelos resultados directos do ensinamento.

Contudo, ainda está na ordem dos 9 por cento, o que é estranho e incompreensível com tantos professores no desemprego.

Reforce-se, por isso, a verba dedicada à extinção do analfabetismo e, com aulas espalhadas pelas aldeias, vilas e cidades do país, coloquem-se os professores habilitados que assim o desejarem.

Essas aulas devem estender-se a todos os níveis do ensino – desde o 1.° Ciclo até ao fim do Secundário – e criadas em todos os locais em que haja alunos.

Mas não venham depois os professores alegar falta de condições logísticas, porque qualquer pessoa sabe que a decisão é extraordinária e, por isso, não pode ser exemplar.

Simultaneamente, podia-se fazer funcionar a aula de Moral Católica, nas Escolas Primárias, da mesma forma que se realiza nos outros Ciclos e, desta maneira, colocar os professores escolhidos e habilitados para a função.

Podia-se, ainda, à semelhança do que fizeram com sucesso outras nações, reforçar o abono de família do terceiro filho, no intuito de aumentar o número de instruendos nas escolas.

Evidentemente que só estas três soluções não resolveriam totalmente o assunto dos professores mas, juntamente com outras, poderiam minorar a situação,
criando novos postos de trabalho.

É certo que o governo está empenhado em diminuir a despesa pública com os funcionários; contudo, no meu entender, essa redução não devia abranger a educação nas escolas.

Creio que, qualquer dia, vai-se pôr a questão de «Horários 0» a professores vinculados.

Assim sendo, sou da opinião de que mais vale pagar-lhes o ordenado e tê-los a trabalhar do que despender dinheiros públicos sem qualquer aproveitamento.




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