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Os créditos das nossas escolas…

Portugal democrático, livre e pluralista, iniciou finalmente as suas escolas, com monopólio estatal. Após um concurso viciado e lento, fragilizaram-se ainda mais os alunos de escolas do interior com professores ainda não colocados, ou à espera de novos concursos. Todos os anos a cena se repete por este ou outro motivo, mas todos, no fim do ano, invocam ainda pretextos para acabarem as aulas mais cedo…

N/D
25 Set 2004

Esta tendência para um certo facilitismo, ineficácia e preguiça, instalou-se, como já é hábito de se estragar as férias aos alunos e suas famílias, para correrem aos papéis de concurso, para exames, revisão de provas e candidaturas para as universidades.
Resultado: em vez de descansarem durante as férias, ou fazerem estágios de língua no estrangeiro, os alunos e pais têm de estar à espera das últimas notícias para saberem das tricas ou o que vai acontecer no ano seguinte. Outros apressam-se logo a escolher escolas, mesmo privadas, não olhando a custos, para os filhos… que aspiram a ser “doutores”, nem sempre bons profissionais…

Conhecidos os resultados das candidaturas para as universidades, muitos sentem-se frustrados, porque não foram contemplados nas suas opções, e os mais teimosos, com capacidade económica, vão mesmo para o estrangeiro.

Já reparámos nos custos e “sangria” de divisas para os alunos estudarem, por exemplo em Espanha, a preencherem vagas, durante cinco ou seis anos, só porque existe um sistema que afunila cada vez mais os cursos, para permitir apenas a entrada de génios?

Mesmo assim, não se receia empregar os mais fracos – que não tiveram lugar em Espanha -, como médicos entre nós. Onde estamos com tal raquitismo mental? Não estaremos a ser duplamente explorados? Se se pretende garantir a qualidade na Medicina, será por estes meios, estes critérios e só com estes testes? Outros cursos, especialmente da docência, não serão tão importantes? Não foram os candidatos de medicina preparados pelos docentes? Por que motivo não devem ser tanto ou mais avaliados? Infelizmente, fez-se do ensino uma fossa comum…

Em quase todos os países da Europa, apesar de pagos generosamente, a maior parte dos professores pedem reforma antecipada, alguns sentem-se incapazes de continuar as suas funções, por vezes desencorajados por tantas reciclagens, reformas de programas e técnicas de experimentação e balões de ensaio, que redundaram apenas em fracasso, desmotivação e insucesso escolar…

Porquê? As estatísticas falam por si: em Portugal, apesar de todas as facilidades, 74 por cento dos alunos não completam o 12.° ano. De quem é a culpa? Será só dos alunos ou do sistema?

Aliás, como acompanham as famílias os seus filhos? Quais as motivações que atraem uns e outros para a escola? Será com armazéns, como “aviários” de alunos? Onde está a alegria e entusiasmo dos professores no exercício da sua missão? Com a precariedade dos seus empregos – sujeitos a um vaivém todos os anos -, terão interesse em dedicar-se, de alma e coração, à escola e aos alunos?

Por outro lado, porque são tão criticados e postos à prova pelos pais que, por vezes, se demitiram das suas funções de educadores e acompanhantes e delegaram na escola o que devem fazer nos seus lares?

Pode-se dizer que o sistema faliu. Grave ainda, entre nós, é o facto de os pais não poderem optar livremente pelas escolas, segundo os seus princípios religiosos e morais, o que acontece em quase todos os países da Europa.

Em nome de uma ideologia de ficção neutra, tudo se esconde e confunde com valores e pseudo-valores, gerando a perturbação e daltonismo de pais e de filhos nas escolas estatais.

Não explicará tudo isto a miscelânea e jogo de fogos cruzados a que constantemente somos assaltados num país em que se avança um passo em frente, seguindo-se logo dois passos para trás!

A sociedade portuguesa é livre e plural, mas no sector da Educação continua ditatorial. Os pais mais conscientes, ou com capacidade económica, acabam por ser penalizados, quer na escola secundária, quer na universidade.

Como poderemos falar de ensino livre com este monopólio do Estado democrático, que se arvora em “tutor e guia” dos pais, ao arrepio da liberdade que se impõe? Não será isto a causa de um mal-estar latente, que leva a tanta fuga de impostos e a uma sociedade com implosão de conflitos internos incontornáveis, geradores de polarizações, a que assistimos gradualmente?!…




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