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Direitos dos animais ou deveres das pessoas?

No passado fim-de-semana, a capital portuguesa viu a realização de um desfile e de uma manifestação dos chamados «amigos dos animais». O ponto de paragem foi a praça de touros do Campo Pequeno, havendo até alguns confrontos com a PSP. Foram várias centenas de pessoas que aí se juntaram, lançando palavras de ordem contra as touradas e empunhando cartazes com slogans alusivos à defesa dos «direitos» dos animais.

N/D
25 Set 2004

Não vou condenar a sua atitude, a não ser a vandalização das paredes e dos tapamentos das obras, pois vivemos, graças a Deus, num estado de direito democrático, onde cada um é livre de expressar a sua opinião e obrigado a respeitar, mesmo sem com ela concordar, a opinião do outro.
A primeira questão é saber se os animais têm direitos. Penso que não, mas ninguém se escandalize.

Na minha opinião, os animais não têm direitos, pois não podem corresponder com o necessário e correlativo cumprimento de deveres. Ou seja, só se pode exigir direitos quando se podem cumprir os respectivos deveres. E isto só o ser humano o pode fazer, pois é o único ser, na face da terra, que possuiu a capacidade do livre arbítrio, do raciocínio e da liberdade.

Os animais agem por instinto, não por discernimento. Os seres humanos, para além dos seus instintos naturais e reflexos espontâneos, podem condicionar as emoções e as acções, através do uso da razão.

Não defendo que os animais sejam torturados, para prazer dos homens, mas não podemos andar sempre a falar dos seus «direitos», pois nem sequer eles próprios sabem que os possuem. Existe, isso sim, um grande dever da humanidade em proteger e salvaguardar a existência da fauna e da flora. Os animais têm de ser preservados, pois são parte integrante do nosso ecossistema.

Causa-me também surpresa haver estas mobilizações em favor dos «direitos» dos animais, sempre que há touradas ou uma avestruz foge pelas ruas de uma cidade, e não serem organizadas actividades e mobilizações em favor da vida humana e dos direitos da criança, do idoso e de toda e qualquer pessoa humana, em qualquer que seja o estádio da sua existência, sem que um barco passe nas nossas costas marítimas.

Muitas pessoas andam, completamente, desnorteadas ao nível dos valores e da sua hierarquização. Para eles, uma pessoa ou um animal é a mesma coisa. Ouve-se até, aqui e acolá: «gosto mais deste animal do que de algumas pessoas»; «por este bichinho faço tudo», etc… Criam-se hotéis, clínicas, prontos-a-vestir para os animais, deixam-se heranças a gatos e cães, e por aí adiante.

É imperioso defender os animais, porque são parte da nossa existência, pois foi o Homem quem lhes deu o nome, os elevou à abstracção e existência intelectual, mas não nos esqueçamos dos outros seres humanos que vivem a nosso lado e passam fome, dormem nas ruas, são abandonados em orfanatos e lares, das mulheres que por razões económicas procuram o aborto, dos doentes que desesperam no seu sofrimento e desejam a morte.

Sejamos portadores da esperança e da luz da vida. Vale a pena viver em harmonia com a criação e com a humanidade.




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