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Dia Mundial do Turismo 2004

Celebra-se na próxima segunda-feira, dia 27, o Dia Mundial do Turismo. Para essa circunstância o Santo Padre João Paulo II escreveu uma mensagem dirigida a todos os que exercem a sua actividade nesse sector, apontando alguns aspectos positivos do turismo.

N/D
25 Set 2004

O turismo, tal como o conhecemos hoje, é um sector comercial relativamente recente, mas que já se impôs. É como sabemos o gosto por viajar.
As deslocações que muitos são obrigados a fazer por motivos profissionais não se podem chamar propriamente turismo. As deslocações são turismo quando se fazem para mudar de ambiente, para conhecer outros países e civilizações, entrar em contacto com hábitos genuínos dos outros povos, visitar museus e monumentos, ver ao vivo obras de arte, apreciar paisagens deslumbrantes, etc.

É certo que para muitos fazer turismo representa deslocações ao estrangeiro, o que manifestamente não é preciso, pois no nosso Portugal temos muita coisa digna de se ver e apreciar. As saídas ao estrangeiro têm para mim, uma vez que ainda não conhecem todo o nosso país, uma boa carga de snobismo e desejo de ostentação.

Diz o Santo Padre na sua Mensagem que subordinou ao título “Desporto e turismo – duas forças vitais para a compreensão mútua, a cultura e o desenvolvimento dos países”: «o turismo contribui para incrementar o relacionamento entre pessoas e povos que, quando é cordial, respeitoso e solidário, constitui como que uma porta aberta para a paz e convivência».

A referência a «desporto e turismo» deriva da existência de tempo livre, que não deve ser um estar sem fazer nada, mas uma mudança de actividade, neste caso o desenvolvimento físico e espiritual do homem. De facto, o desporto incrementa, e de que maneira, o turismo. Lembremos o que se passou no nosso país com o Euro-2004 e, mais recentemente, com os Jogos Olímpicos de Atenas.

Claro que estando o turismo muito ligado ao desporto não podemos esquecer que este convida a algo que devemos evitar, como seja o mercantilismo exacerbado, a competição agressiva, a violência contra pessoas e bens, degradando o meio ambiente e a dignidade cultural das pessoas que acolhem os atletas.

Diz o Santo Padre no n.º 3 da sua Mensagem: «O Apóstolo Paulo apresentava aos cristãos de Corinto a imagem do atleta para explicar a vida cristã, como exemplo de esforço e de constância (cf. 1 Cor 9, 24. 25).

Com efeito, a prática correcta do desporto deve ser acompanhada da temperança e da educação à renúncia; com muita frequência, ela exige inclusivamente um bom espírito de grupo, atitudes de respeito, apreço pelas qualidades do próximo, honestidade no jogo e humildade para reconhecer os limites pessoais.

Em síntese, o desporto, especialmente nas suas formas menos competitivas, convida a uma celebração festiva e a uma convivência caracterizada pela amizade».

Com São Paulo, o cristão pode encontrar no desporto uma ajuda para crescer em fortaleza, temperança e justiça. O gosto de ganhar não deve incluir um trampolim para esmagar o adversário (e nunca lhe chamemos «o inimigo»).

A Igreja Católica portuguesa deseja que a Igreja e o mundo do Turismo não andem de costas voltadas e assim as dioceses assumem a necessidade de «apostar prioritariamente na Formação de Agentes Pastorais e de Técnicos Operadores Turísticos, cristãos e não só, através de Cursos Práticos». Ao fazer turismo, os católicos metem na mala as suas convicções e o desejo de continuarem a manter a sua prática religiosa.

Vi um dia um programa de viagem intitulado “Lugares Santos espanhóis”, que não levava nenhum sacerdote, mas mesmo que levasse o programa era de tal modo compacto que não contemplava tempo para qualquer cerimónia religiosa nos referidos Lugares Santos, e nem mesmo tempo para a Missa Dominical.

Os agentes turísticos deviam pensar nisso e se tentarem explorar essa vertente a que eu chamo “Turismo religioso”, que faz bem ao corpo, mas não descura a alma, não ficavam a perder em termos económicos. O Santo Padre João Paulo II, com aquela vivacidade de espírito e visão sobrenatural e humana dos problemas que o caracteriza, já se referiu a este assunto em termos de muito apreço.

Façamos turismo, com muito ou pouco dinheiro, mas que descanse o corpo sem prejudicar o espírito – este deve estar primeiro.




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