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Termos compensatórios

Foi premeditado um certo compasso de espera, porventura excessivo, entre a ocorrência e a produção deste conteúdo analítico. Como esperava, a oposição alternativa, cheia de telhados de vidro na matéria, nem abriu a boca a comentar os números divulgados. Algo sintomático…

N/D
24 Set 2004

Já na essência, em princípios de Maio, foi difundido pelos órgãos de comunicação social, com destaque para a RTP, que o citado canal público reduziu substancialmente os prejuízos, estimando que no último trimestre do ano em curso poderia de deficitária apresentar saldo positivo. Naturalmente, foi uma notícia agradável de ouvir.
Porém, a grande surpresa surgiria logo após poucos dias da citada divulgação: a Secretaria de Estado das Comunicações (Governo) concedeu 157 milhões de euros à RTP, designados de termos compensatórios!

Um tanto leigo em matéria de gestão, já que nas minhas obrigações apenas me cumpre gerir as contas do agregado familiar, o que o faço com todo o rigor contabilístico, o facto ocorrido deixou-me um tanto boquiaberto! Sempre entendi que uma boa gestão, dentro dos meus modestos conhecimentos, é gerir o que temos e não aquilo que nos é dado de mão beijada.

Sem pretender insinuar o que quer que seja, parece líquido que a situação financeira da RTP terá sido um tanto branqueada, com números que estão longe de corresponder à realidade. Se a compensação tem em conta o facto da TV estatal, desde há uns anos a esta parte, estar privada da taxa do contribuinte (já é aventada a sua reposição), será caso para expressar: os canais privados vivem sem ela e oferecem vencimentos chorudos. Algo nos escapa que não dá para entender!

Adverso e muito a insinuações, o que acima exprimi, no tocante a telhados de vidro, obriga-me a recuar no tempo: no último ano da designada era cavaquista, o governo de então (salvo erro foi o que aboliu a taxa televisiva) decidiu atribuir sete milhões de contos à RTP. No Parlamento, Arons de Carvalho, deputado socialista, designou de medida escandalosa a atribuição do referido montante financeiro.

Com a tutela da RTP a seu cargo, volvidos à volta de seis meses de governo socialista, Arons de Carvalho ou o Governo, como se queira, atribuíram 30 milhões de contos à RTP. Confrontado na Assembleia da República com tão gritante contradição, o governante citado teve esta resposta simplista: 30 milhões de contos até nem é muito.

Espantoso, sem dúvida! Sete milhões, quando estava na oposição, foi uma concessão escandalosa e, no poder, 30 milhões de contos até nem era muito! Ao que chega a desfaçatez de certos políticos! De certeza que julgam todos os portugueses desmemoriados ou uma camada de incautos.




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