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797. Senhor Secretário de Estado do Desporto:

1Vivemos na FUTELÂNDIA! No reino do Futebol! As televisões, os jornais, as rádios, a cabeça das pessoas funcionam só na mesma frequência: BOLA! BOLA! BOLA! Tudo é redondo! Nada é quadrado ou obtuso!

N/D
22 Set 2004

Entretanto, a prestação dos meninos da bola nos Jogos Olímpicos de Atenas foi vergonhosa! Para além da indisciplina de que deram mostras (afinal, não foram estes os mesmos que, em França, partiram os balneários, durante o Europeu?) não fizeram resultado de jeito!
Para eles a bola saiu-lhes mesmo quadrada e regressaram a casa humilhados, vaiados e a pedir um bom correctivo (daqueles que se dá aos putos mal comportados, do género, calções abaixo e um vigoroso par de nalgadas)!

Estes meninos da bola, senhor Secretário de Estado, que bem podem apodar-se de meninos de oiro, revelaram uma flagrante falta de educação, ética e profissionalismo.

E isto não se pode desculpar, seja a que profissional for, muito menos àqueles que vestem as cores nacionais, competindo.

Demais, o seu comportamento é a prova provada de que o futebol foi, aqui, desporto-rei pelo pior motivo: exposição olímpica de uma juventude insolente, indisciplinada, egocêntrica; não por falta de apoio, inclusive, económico, pois estes atletas auferem ordenados milionários e têm a assistir-lhes meios logísticos invejáveis!

Então, é lícito perguntar: não será a fartura má conselheira e se eles ganhassem, apenas, o ordenado mínimo não se portariam melhor e do país uma imagem mais positiva dariam?

Agora, com meninos mimados, estrelas de firmamentos opacos e ídolos de pés de barro não vamos a lado nenhum!

2. Entretanto, senhor Secretário de Estado, com ordenados irrisórios, recursos escassos e patética visibilidade nos media, os atletas de outras modalidades desportivas, mormente do atletismo e ciclismo, trouxeram de Atenas medalhas e alçaram bem alto o nome do país que representavam! A estes atletas, é lógico, moveu-os mais o espírito de competição, o verdadeiro espírito olímpico do que a exibição bacoca de vaidades e vedetismos, tão-só próprios de quem persegue o lucro fácil e o estrelado balofo.

Daqui podemos inferir que, se estes atletas tivessem metade, que fosse, dos recursos que sobram aos futebolistas, brilhavam muito mais alto; como também que tudo passa pela falta de uma séria lei de bases do desporto nacional, capaz de, da escola primária à universidade, traçar os objectivos, definir as metas e criar os meios indispensáveis à formação nos mais jovens de uma autêntica cultura desportiva!

E sem demagogias e paternalismos! Porque não se é atleta olímpico por gestação espontânea. Chega-se lá com muito esforço, trabalho, apoio e nunca com improvisação e chico-espertismo!

Não duvido de que, embora escasso e pouco ambicioso, o êxito conseguido (três medalhas) mostrou que temos gente com garra, potencialidade e atrevimento! Faltará só mais investimento e empenho dos governos e estruturas federativas, canalizados para os clubes e organismos locais através daquilo que mais precisam: DINHEIRO!

Até para que não seja o futebol, onde os milhões rolam e rebolam e os praticantes deles bom proveito fazem, a única modalidade desportiva que é rei e mobiliza assim toda a energia e atenção nacional!

(Já agora, senhor Secretário de Estado, e em jeito de desabafo xenófobo, um reparo: como foi possível o medalhado atleta Francis Obikwelu, no momento da consagração, ter exibido uma bandeira nacional made in China?)

É caso para dizer: até aqui não passamos de uns pexotes!

Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!




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