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Liberdade ou hipoteca de consciência?

A Alemanha vai tão longe ao ponto de projectar uma legislação especial de penalização com impostos para os solteiros e casais sem filhos, como a aumentar o contributo das mulheres para a reforma, dada a maior longevidade em relação aos homens…

N/D
21 Set 2004

A única nota de estupidez num homem é a perda do senso comum, e o contrário, a introdução da lógica do sentido privado (Kant, in Antropologia)
Enquanto certos partidos, em nome de uma solidariedade e patriotismo de trazer por casa, se divertem a discutir democraticamente sobre o aborto, numa humanidade descabelada, que cede a soberania e os direitos nacionais a outros, a Alemanha faz uma campanha extraordinária contra o aborto, e discute uma legislação de modo a favorecer a natalidade, as famílias com filhos e a qualidade da escola, que atingiu os níveis mais baixos.

A exemplificar esta atitude, o primeiro-ministro, socialista, casado quatro vezes, com 60 anos, acaba de adoptar uma criança russa de três anos, não realizado como pai, apenas com uma enteada de sua mulher, já adulta, a trabalhar na RTL…

Deste modo, na sequência de uma diminuição drástica de natalidade, que levou a cortes radicais no sistema de pensões, cifrando-se as quotas de nascimentos, no ano transacto, em menos de 70.000 e, no semestre deste ano, menos ainda 15.000, em que as mulheres confessam que gostariam de ter filhos, 2,45 por casal, e não atinge 1,45, sendo as intelectuais e académicas as menos fecundas, em que 45 por cento recusam filhos, verifica-se um fenómeno, apesar de tudo contrário, dadas as consequências e inversão de todo o sistema social, em colapso.

Em muitos aspectos, parecemos caminhar e embandeirar nas campanhas abortivas de há uns anos atrás, nos países mais evoluídos, mas não medimos as consequências de uma tal atitude. Quando não há critérios de valor ético e se joga numa política de mercado e de populismo, as consequências aparecerão à vista.

Quais são os interesses veiculados? Tratar-se-á de uma libertação da mulher, ou pretende-se a perda de valores morais, cujas consequências se sentirão individualmente mais tarde? Será apenas uma questão filantrópica, utilitarista, baseada em alguns casos isolados, que se pretende salvaguardar, ou dar uma forma jurídica?

O politicamente correcto pode não ser o eticamente permitido. Para quê então tanta solidariedade dos partidos de esquerda para com essas pobres mulheres a fazer aborto em condições desumanas? Não seria melhor educá-las e esses políticos tão generosos – que até podem sustentá-los – deveriam adoptar-lhe os filhos, ou mesmo os ricos da direita… Não teriam aí uns novos escravos para a sua sobrevivência, ou mesmo uns lacaios no futuro a trabalhar para a sua reforma?!

A Alemanha vai tão longe ao ponto de projectar uma legislação especial de penalização com impostos para os solteiros e casais sem filhos, como a aumentar o contributo das mulheres para a reforma, dada a maior longevidade em relação aos homens…

Uma sociedade deve reger-se por critérios de justiça ou de caridade? E onde esta não existe, não estranhemos que se imponha uma certa solidariedade, relativamente a um egoísmo feroz e hedonismo, que se endeusou, na certeza porém de que não são os mais pobres que reivindicam a defesa dos seus direitos, como não pedem aos seus políticos, generosos e liberais, o que devem fazer debaixo dos lençóis, mas mais justiça social e compreensão humana, pois a sociedade é um composto de todos, mesmo os mais fracos…

Não sejamos preguiçosos e cobardes. A liberdade humana tem os seus limites, como a política tem uma ética social. O esquecimento desta pode pagar-se muito caro.

Criem-se pois leis justas que protejam os mais desfavorecidos, mas não os defendamos com atentados à dignidade humana. Haja esclarecimento e não populismo e ideologia.

É preciso ousar conhecer. Aude sapere (ousa conhecer), dizia Kant: «A preguiça, a cobardia levam uma multidão de espíritos a permanecerem menores ao longo da vida, permitindo a outros que exerçam um domínio fácil. Se tenho um livro que exprime opiniões por minha conta, um director de consciência que tem uma moral para mim, um médico que escolhe um regime por mim, não preciso de envidar qualquer esforço pessoal: em meu lugar, um vizinho se ocupará da desagradável tarefa que consiste em reflectir…»

Mas que diríamos de políticos imorais, que se tornaram zeladores da consciência moral, ou de guardiães da menoridade, em vez de educarem o uso da liberdade?




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