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Para uma obediência responsável

Até que ponto há estabilidade ou estagnação na responsabilidade das dioceses e das paróquias? Tempo a mais não revelará um certo comodismo e tempo a menos não criará instabilidade ou soará a precipitação?

N/D
20 Set 2004

Por esta ocasião do ano pastoral é habitual verificarem-se mudanças ao nível das paróquias, saindo ou entrando párocos, com a inerente modificação de ritmos, estilos e até de modos de fazer. Para quem não esteja minimamente inserido na dinâmica das Dioceses poderá perguntar-se: Como funciona este esquema? Quem escolhe ou quem participa nas escolhas? Qual a intervenção do que é mudado? Que qualidades ou condições devem ter os que são intervenientes activos nas mudanças? Como dizer ou aceitar as deliberações de quem decide?

Estas e muitas outras questões – pelo menos ao nível dos cristãos católicos conscientes – podem e devem ser apresentadas, sobretudo quando não está em causa a mudança do (seu) pároco para que, quando ela vier a acontecer, tenham assimilado o que é importante ou secundário em qualquer dos momentos.

Numa época em que “ser Igreja” significa mais do que ser frequentador de missas (há quem lhes chame “misseiros”) ou sacramentos, é preciso que cada cristão perceba que tem de educar a sua consciência de crente, de fiel e de participante na Igreja-comunidade mais do que na Igreja-cristandade.

Num tempo de crise de vocações sacerdotais nota-se a necessidade de revalorizar o matrimónio como vocação – bem diferente do conceito de casamento! – em cujo seio nasçam, amadureçam e frutifiquem as sementes de consagração ao Reino de Deus.

Quando a função do sacerdote ministerial tem de ser reflectida em consonância com o lugar, dinâmica e ministérios dos leigos, sente-se a urgência de fazer uma reflexão em ordem a que não se clericalizem os leigos nem se laicizem os presbíteros.

No entanto, há questões que precisamos de saber encarar sem rodeios nem mecanismos de defesa, tanto por parte da hierarquia como de todos os outros fiéis.

– Como entendemos a obe-diência: de forma servil ou ajudando quem tem de decidir?

– Os padres – atendendo às diversas idades e épocas de formação – saberão obedecer ou fazem o que lhes mandam mesmo que contrariados?

– A escassez de clero não deveria levar os responsáveis das dioceses a colocarem os padres mais em função dos dons/qualidades/carismas em razão do melhor rendimento no e do presbitério do que do preenchimento do xadrez das necessidades paroquiais?

– Os próprios sacerdotes não deveriam ajudar – sem pretenderem influenciar ou condicionar! – mais os conselhos dos bispos em ordem a estarem disponíveis para edificar responsavelmente com os seus dons a Igreja a quem prometeram servir no dia da ordenação?

– Será que todos têm clara a perspectiva de conjunto dos trabalhos que fomentam, realizam ou em que são chamados a colaborar?

– Até que ponto há estabilidade ou estagnação na responsabilidade das dioceses e das paróquias? Tempo a mais não revelará um certo comodismo e tempo a menos não criará instabilidade ou soará a precipitação?

Esta breve partilha só tem por objectivo deixar pistas sobre uma temática que a todos deve ocupar em ordem a construirmos uma Igreja Católica cada vez mais adulta, de olhos postos em Deus, coração atentos aos problemas dos nossos dias e em busca de resposta para o mundo actual.




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