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Nótulas soltas da minha agenda

1 Do “Público” de 16 do corrente, do artigo de Guilherme Valente (Editor da Gradiva), com o qual concordo em absoluto, transcrevo: «Portugal precisa desesperadamente de profissionais qualificados em todos os sectores de actividade, de elites intelectuais e profissionais, mas também de elites de carácter, que prezem e defendam a verdade, que não cedam relativamente ao que é inadiável realizar».

N/D
20 Set 2004

Permita-se-me que enfatize a parte final transcrita e que, infelizmente, bem precisava de ser muito mais vivida, sobretudo por aqueles que são… elites. Na realidade vivemos num défice de elites de carácter.

2. Não tinha, nem tenho, vontade de acrescentar mais nada à minha nótula anterior. Mas, não posso reduzir-me a tão pouco espaço! Por isso, volto à carga com o “caos” no sistema de ensino público. Que me lembre, só em 75/76 houve tal situação de desconcerto. Ao ver e ler as reportagens sobre a situação que se está a viver, não posso deixar de lamentar e protestar com toda a veemência: a Família, as famílias, está e estão a ser agredidas. Os filhos sem aulas. Os docentes à deriva, de casa às costas e filhos nas mãos, à espera de saber onde irão parar. Se têm a sorte de serem colocados. E que dizer das disformidades e incoerências dos programas que lhes mandam cumprir?

O sistema de ensino faliu. Está em colapso. Sente-se um forte mal-estar nos docentes. E sem eles, mas muito menos contra eles, não há sistema educativo que resista.

3. Em Agosto, o Diário do Minho publicou um texto meu sobre o silêncio. Escrito há já vários anos só agora decidi a sua publicação. Muitos leitores me interrogam sobre o que eu queria dizer. A todos disse: o que de facto escrevi. E o que escrevi é o que eu sinto. Com mágoa. Com revolta. Há silêncios que querem ser obstáculo ou convite à desmobilização.

4. E termino estas nótulas, como comecei, citando o “Público” de 17 de Setembro, no qual António Barreto escreveu: «Reconheça-se que as reformas educativas e curriculares, pelo menos nestes aspectos, falharam redondamente, desde Veiga Simão a David Justino, passando por Deus Pinheiro, Roberto Carneiro e Ana Benavente».




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