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“Barco do Aborto”

A Holanda teve humanistas como Erasmo de Roterdão. Mas Portugal também teve um Damião de Góis, um Padre António Vieira e muitos outros. Por sinal, Vieira pregou «contra as armas de Holanda»… Não queiram, pois, alguns parasitas holandesesdar-nos lições de direitos humanos, entre os quais avulta o direito à vida de inocentes

N/D
15 Set 2004

Os meus pais, que eram pobres, tiveram doze filhos. E todos nós, não obstante carências de vária ordem, apesar da fome que sofremos, mormente durante a Segunda Guerra Mundial, e o racionamento, gozámos boa saúde. De tal forma que, por exemplo, dois de nós fomos pilotos-aviadores da Força Aérea, tendo sido considerados muito aptos em rigorosos exames físicos, psíquicos e psicotécnicos.

É, pois, errado pretender “justificar” o aborto com as dificuldades económicas.
Como advogado, fui nomeado defensor oficioso duma “habilidosa” que ajudou a abortar a riquíssima mulher dum empreiteiro. Perguntei-me o que teria levado aquela milionária mãe de três filhos a recorrer pela quinta vez à “parteira” curiosa. Só porque esse quinto aborto conduziu a principal arguida ao hospital teria sido porventura impedido um reiterado massacre de inocentes, a perpetrar pela própria mãe deles.

Mesmo que não nos movessem princípios religiosos, morais, éticos, filosóficos…, bastar-nos-ia pensar que, se as nossas mães nos tivessem matado no ventre, nos tivessem negado o direito à vida, não existiríamos…

Entre dois males, a própria Igreja compreenderá como mal menor a contracepção. E são tantos os métodos disponíveis para prevenir gravidezes indesejadas que a negligência nesse campo, o “não te rales”, não podem ter como consequência a punição cobarde, desumana, assassina, duma criança e a impunidade dos autores materiais e morais dessas mortes.

A novela asquerosa do “Barco do Aborto”, cujos tripulantes não puderam ocultar sequer a “marquesa” e os instrumentos cirúrgico-ginecológicos-obstetrícios que não são meros objectos decorativos do tenebroso barco, tem sido exultada e objecto de publicidade gratuita.

Aquele matadouro ambulante veio da Holanda, país que conheço como o mais permissivo da União Europeia no que concerne aos atentados aos direitos humanos, à dignidade humana. Basta percorrermos algumas ruas de Amesterdão e de outras cidades holandesas para vermos montras que exibem prostitutas, como se exibem animais irracionais em certas lojas.

E o Governo holandês engorda as suas finanças com impostos provenientes da venda daqueles corpos jovens, vítimas da miséria mate-rial e moral. A eutanásia é legal na Holanda, substituindo-se a Deus alguns médicos, que decidem quando pôr fim à vida…

Considerando-nos indigentes mentais, os operacionais do “Barco do Aborto” atribuem-se o direito de vir abrir os olhos das “parvinhas portugas”, de as ensinar a matar os filhos, de cometer crimes de incitamento à prática de aborto, como fez a médica holandesa, através da televisão, ensinando a ingerir quatro comprimidos que por aí se vendem livremente, e a repetir a dose no dia seguinte.

É uma forma de fazer abortar mulheres que desconhecessem método tão simplificado, sem embargo de a mesma médica, na SIC, admitir a eventualidade de consequências prejudiciais à saúde das utentes de tal método. O Ministério Público deveria mandar deter aquela médica que atenta contra a vida, desde logo ao abrigo do art.º 140.º n.º 2 do Código Penal.

Espero que o nosso Governo proíba também a venda dos comprimidos assassinos.
Não morro de amores por Paulo Portas, nem se veja neste meu sentimento de indignação qualquer apoio ao actual Governo, muitos de cujos actos condeno. Nem atribuo a Portas poderes que parece arrogar-se de decisor-mor do reino.

O Governo agiu bem nesta novela. Pena é que tivesse montado um aparte bélico desnecessário, mesmo ridículo. Poderiam ter deixado entrar nas nossas águas territoriais o tenebroso barco e, em flagrante, deter os agressores da nossa lei, democraticamente aprovada.

A Holanda teve humanistas como Erasmo de Roterdão. Mas Portugal também teve um Damião de Góis, um Padre António Vieira e muitos outros. Por sinal, Vieira pregou «contra as armas de Holanda»… Não queiram, pois, alguns parasitas holandeses dar-nos lições de direitos humanos, entre os quais avulta o direito à vida de inocentes.

Convido-vos, apologistas do aborto, a olhardes para as crianças que encontrardes (o melhor do mundo, diz o Poeta). Perguntai-vos se não seria crime, para não dizer pecado grave, ter matado no ventre materno aqueles seres maravilhosos, que o próprio Cristo amou e ama de modo especial!…




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