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A legalização do aborto impune o crime?

É confrangedor verificarmos em grande parte da comunicação social escrita e audio-visual que o dever de informar com objectividade está a caminho do caixote do lixo. E, de certeza, que muitos desses senhores, em congresso, fartam-se de consumir palavras como deontologia jornalística!

N/D
15 Set 2004

A dualidade de critério utilizada na informação vem revelando uma nítida ausência de imparcialidade. A exemplo, enquanto se vem dando uma ampla cobertura aos promotores da visita do designado “barco do aborto”, aos que a contestam quase, passa despercebida.

A dualidade chega a ser quase doentia, quando é abordada a permissão ou não da entrada do barco em águas nacionais. Enquanto aos que defendem a posição, que sim, que deveria ser consentida a entrada na Figueira da Foz, é dada uma ampla cobertura, sobre a opinião de um ministro do governo da Holanda, que expressou a sua opinião, afirmando que o governo português tem todo o direito de impedir a entrada do barco e que este é obrigado a respeitar as leis que vigoram em Portugal, este exprimir do governante da Holanda quase passou despercebido na grande maioria da comunicação social que temos! Dão ênfase, a meu ver excessivo, a quem defende a entrada, e quase é ignorado quem contesta a pretensa violação das nossas leis!

Para além do atrevido afrontamento do “barco do aborto”, que anda a reboque de meia dúzia de deputados, que até já estão esquecidos que o país acusa muitos outros sofrimentos de índole diversa e com leis aprovadas, para se baterem no Parlamento no sentido de serem atenuados, o vaivém do “barco do aborto” pouco mais tem conseguido do que um bizarro folclore mediático.

A pílula abortiva e os abortos clandestinos sempre existiram. Não é com a aprovação de uma lei criminosa, que legitime o acto hediondo, que tudo isso será alterado! O que sempre existiu, felizmente, também associado, é que apenas uma minúscula percentagem de médicos a receitam ou dão o seu consentimento ao acto irreflectido. A vida não tem preço e ninguém é dono dela.

A ter cabimento o que os promotores de um novo referendo preconizam, a humanidade não passará de um simples símbolo já que, para além do que foi ilustrado, o facilitismo conduz sempre a excessos bem nefastos. Já reflectiram, os apaniguados do “sim” à interrupção voluntária da gravidez (IVG), que se a maioria dos seus progenitores, em tempos idos, tivessem essa facilidade abortiva e adoptassem essa opção, muitos dos que fazem enorme berraria, não existiam?

Por outro lado, se mais vantagens não colhemos desta diversidade de opinião, o frenesim, algo hipócrita de alguns deputados, contra a política americana sobre a guerra do Iraque, pelo menos fez cair por terra o falso humanismo que apregoavam.

O humanismo tem que ser visível em todas as vertentes e não apenas no que nos convém por efeitos ideológicos. Uma relevante diferença. Muitos civis, no Iraque, possuem armas para se defender, não obstante se reconhecer que a luta é muito desigual. No caso dos seres indefesos, quem os protege?! Há desumanismo maior do que uma mãe abdicar de defender a vida do filho que tem dentro de si?!

Uma última questão para abordar um tema tão complexo: um crime deixa de o ser só pelo facto de ser legitimado por uma lei?! Sinceramente, não creio que se dimane uma lei que deixe impune um crime praticado.




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