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796. Senhora Ministra da Educação:

Incompetência e sabotagem são as únicas palavras que os portugueses encontram para classificar o mais vergonhoso e conturbado início do ano escolar, de sempre; e ingovernável é a ideia que têm do Ministério da Educação!

N/D
15 Set 2004

Não é estranho a ninguém o facto de, desde o 25 de Abril, ser o Ministério da Educação o que mais ministros colecciona. Quase todas as legislaturas de quatro anos, como a presente, precisam, pelo menos, de dois ministros para se concluírem!

Ora, isto mostra, claramente, senhora Ministra, que a pasta da Educação não é fácil e, como tal, na escolha do respectivo titular, o primeiro-ministro devia ser mais criterioso e atento. E, David Justino, quando se quer lançar um programa ambicioso e novo de colocação de professores, é a pior escolha de Durão Barroso, como o foi a de Manuela Ferreira Leite, quando Cavaco Silva quis impor ao ministério um estrangulamento orçamental!

Também é voz corrente ser o Ministério da Educação o que mais técnicos reúne, politicamente de esquerda e ali foram, desde o PREC e, sobretudo, no consulado do comunista Vasco Gonçalves (1975), assentando arraiais.

E isto explica-se pela importância que, em qualquer democracia do mundo, as esquerdas (moderadas e extremistas) sempre deram à Educação, Ensino e Ciência.

Não é por acaso que Vasco Gonçalves dá aos professores primários o maior aumento de vencimentos de sempre!

2. Por isso, senhora Ministra, nenhum Ministério da Educação de direita pode ignorar esta realidade. Daí que para si sobra tudo isto. E não vai ter, nos professores, pais e sindicatos a protestarem e duvidarem do processo de colocação de professores, um ano escolar cor-de-rosa!

Até porque os problemas da Educação se acumulam e as escolas são palco de convulsões e frustrações. Por exemplo, segundo a imprensa diária, mais de metade dos alunos do secundário chumba! E porquê?

Ser aluno, hoje, não é já sinónimo de aplicação, dedicação, esforço, mérito, afirmação da personalidade e da inteligência. A maioria vai à escola, mesmo à universidade, como quem vai à discoteca, numa desportiva e para exibir carros, motas, roupas de marca e… estigmas de variada ordem.

Ser pai também já não é ser exigente, rigoroso, disciplinado e disciplinador com a educação e trabalho escolar dos filhos. Os pais modernos estão mais do lado do deixa-andar, do não-te-rales, da exibição de trivialidades e mesquinhices, sobretudo, do estar em primeiro lugar no ter (mota, carro, roupa de marca…) e não no ser (esforçado, trabalhador, educado…)!

E os professores? De ambos os lados da barricada, desvalorizados e desmotivados, gerindo quotidianos de angústias, desânimos e medos, não sabem, não podem ou não querem virar o rumo às coisas. E deixam, com depressões atrás de depressões (sabe, senhora Ministra, por acaso, que a classe docente é a que mais recorre ao psicólogo e psiquiatra?), girar o carrossel mágico do quanto pior melhor!

É esta, pois, a triste realidade que, ao longo dos tempos, vem caracterizando os sucessivos Ministérios da Educação! E, dia-a-dia, num crescendo atroz, nos vai arrastando para um poço sem fundo! E que, seguramente, é o poço da deseducação nacional!

Com os melhores cumprimentos e até de hoje a oito!




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