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O essencial e o acessório

A análise isenta e o confronto das diferentes soluções obrigam-nos a encontrar o caminho capaz de alterar o rumo duma sociedade que caminha inexoravelmente para o envelhecimento

N/D
14 Set 2004

Setembro é, tradicionalmente, um mês de balanço e de projectos. Faz-se a revisão do passado recente e elencam-se os afazeres para os tempos mais próximos.
É o renovar de um ciclo que, ano após ano, se vai repetindo com idênticos propósitos.

São momentos de reflexão por excelência em que se questiona o passado, se analisa o presente e se tenta perspectivar cuidadosamente o futuro próximo.

Ocupado nesta viagem ao tempo, ainda estarrecido pelos horrores dos acontecimentos na escola da cidade de Beslan, na Ossétia do Norte, uma catadupa de acontecimentos e notícias varrem a minha mente, cada uma tentando ocupar o lugar mais central da consciência em alvoroço.

Aqui e além fronteiras são inúmeros os casos que merecem reflexão. Entre muitos dos que vêm ocupar os primeiros planos destaco os que, aparentemente contraditórios na sua génese, não deixam de ser profundamente interdependentes nas suas consequências.

Em primeiro lugar, a divulgação do estudo recente do Professor Medina Carreira que conclui que a maioria dos impostos em Portugal é absorvida para pagar aos funcionários públicos e aos políticos. Em segundo, a revelação, pelo Instituto Nacional de Estatística, de que dois em cada três portugueses são dependentes de reformas, pensões ou outros subsídios sociais.

Por último, a polémica gerada à volta do “Barco do Aborto” que pretendia visitar Portugal tentando relançar a discussão de um tema que ainda recentemente foi alvo de debate e referendo nacional. Se nos debruçarmos sobre o tratamento que foi dado pela opinião pública a cada um destes temas não podemos deixar de ficar assustados.

Não questionando a importância do último assunto referido, há que ter a consciência de que outras matérias bem mais importantes para o futuro colectivo deveriam ser alvo de mais longa e profícua preocupação da generalidade dos portugueses, sobretudo dos que detêm maiores responsabilidades.

Sem querer condicionar a liberdade de ninguém julgo, contudo, que a Comunicação Social em geral poderá ter aqui um papel pedagógico fundamental trazendo à liça os grandes problemas nacionais que continuam a passar ao lado da grande parte dos portugueses.

Com o poder de que hoje dispõe é capaz de trazer para a discussão pública assuntos de vital importância e de largo alcance para o futuro colectivo, promovendo o debate e ajudando a sociedade a consciencializar-se de problemas tão sérios como a baixa de natalidade, o envelhecimento da sociedade ou como é feita a gestão dos dinheiros públicos. Estes e outros exemplos de crucial importância para o país levariam por certo a uma nova mentalidade e a uma melhor preparação dos dias que nos esperam.

A análise isenta e o confronto das diferentes soluções obrigam-nos a encontrar o caminho capaz de alterar o rumo duma sociedade que caminha inexoravelmente para o envelhecimento com consequências que, a não serem travadas atempadamente, não auguram um futuro de confiança para ninguém – penosas aflições para os mais velhos e conflitos inultrapassáveis para as gerações que nos vão suceder.




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