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Barcos e caravelas

É muito útil, sem dúvida, a existência dum barco salva-vidas; mas dispensa-se de bom grado um barco que ande a matar vidas

N/D
14 Set 2004

Nos últimos dias, duas notícias de índole diferente chamaram a atenção do público português.

Uma era alegre e interessante; a outra era triste e perturbadora.

A primeira dizia respeito a uma vistosa caravela portuguesa que, de velas enfunadas, se associava à dança do “vira” regional para, ora em filigrana dourada, ora em louça regional, ser símbolo da cidade de Viana do Castelo; a segunda referia-se ao “Barco do Aborto”, de origem holandesa, que vogava pelos limites das águas portuguesas, para tratar dos interesses das abortadeiras locais.

Trata-se de duas embarcações distintas, em si mesmas e na finalidade para que foram construídas.

Há barcos e barcos!…

Volta e meia, passa pelo porto de Lisboa um luxuoso paquete intitulado “barco do amor” que, embora com frivolidades e divertimentos sociais de que se pode discordar, exalta o prazer de viver; agora, em sentido diametralmente oposto, pretendia visitar-nos um “barco de torpor maligno” que, de uma forma covarde, sonega o direito à vida a indefesos inocentes.

O primeiro procura tirar partido do prazer de viver; o segundo presta-se a um frete que, por motivos de egoísmo feroz, mata a vida logo à nascença.

Poder-se-á perguntar o que faz mover este malfadado barco e a respectiva tripulação?…

– Ideologia política? Anarquismo? Ajuda humanitária? Negócio chorudo?…

Ignoro e tenho a impressão de que nem eles sabem por que lutam daquela maneira e naquelas perigosas condições.

É muito útil, sem dúvida, a existência dum barco salva-vidas; mas dispensa-se de bom grado um barco que ande a matar vidas.

Estou mesmo em dizer que a razão de ser de um barco é facilitar e proteger a vida das pessoas do perigo das águas.

Para um náufrago perdido no meio das ondas oceânicas, o barco que surge é a única esperança de vida.

Daí, que o “Barco do Aborto” seja uma embarcação contra natura e que contradiga o natural destino de qualquer barco que se preze.

É do direito universal consuetudinário que nenhum povo tem cobertura jurídica para intervir, em terra alheia, nos direitos de outros povos.

Por este motivo, a França não poderá atender ao pedido dos raptores iraquianos dos dois jornalistas franceses para, em troca, abolir a “lei do véu islâmico”.

Da mesma forma, Portugal não pode deixar que holandeses intervenham no direito e nos usos e costumes da sociedade portuguesa.

Mal ou bem, pertence ao povo português decidir o seu destino.

Cada terra tem o seu uso, da mesma forma que cada roca tem o seu fuso.

A roca holandesa não se ajusta à qualidade dos fusos portugueses.

Por isso, se algum português quer fiar em rocas holandesas, o melhor será ir “fiar as estopinhas” para os Países Baixos e deixar o fuso português girar à sua maneira.

O que é triste é que haja políticos e deputados portugueses que, sabendo o resultado negativo do referendo feito, mandem às malvas a soberania do povo português e, pelo sádico prazer de estar no contra, se sujeitem ao jugo tirano de povos estrangeiros.

E andou-se a cantar «… O povo é quem mais ordena!…»




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