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O laicado e a montanha

No seu livro “Levantai-vos! Vamos!”, João Paulo II dedica um capítulo à vocação dos leigos. O fiel leigo realiza a sua vocação no mundo, animando com espírito cristão a sociedade, mediante o cumprimento de seus deveres profissionais e o testemunho de uma vida familiar exemplar.

N/D
13 Set 2004

Depois o Papa refere-se «àqueles que sabem transformar em oração o seu quotidiano, pondo Cristo no centro das suas actividades».
É a índole secular da espiritua-lidade laical: no coração do mundo, para transformar o mundo, para transformar o mundo segundo as exigências do Evangelho.

Difícil de realizar? Nem tanto, pois basicamente uma vida de amor realiza-se através do fiel cumprimento dos deveres profissionais: o operário na fábrica, o empresário criando trabalho e desenvolvimento, o médico curando doentes, o agricultor extraindo da terra o alimento do povo, o soldado zelando pela segurança e a integridade da pátria e todos dedicados à família.

Assim Wojtyla entende a santidade do fiel leigo. Quem foi o santo agricultor que lavrava e na poeira que subia ao céu ele via incenso e o seu coração cantava alegre canções de amor a Deus? O povo cristão vive muitas vezes esta espiritualidade.

Minha mãe, por exemplo, caminhando para os 99 anos, disse: «Tudo o que fiz na minha vida, fiz com alegria, sob o olhar de Deus». Viver na profissão e na família sob o olhar de Deus, na presença de Deus, eis o ideal!

Jesus, para renovar a sua fidelidade à vontade do Pai, costumava retirar-se de noite para a montanha a fim de orar. Levou os seus discípulos ao monte Tabor para lhes manifestar a glória futura e prepará-los para os mistérios da paixão, morte e ressurreição.

Os fiéis leigos têm a oração em família, a leitura orante da Escritura (um pequeno texto por dia!), a participação de um grupo de família ou de espiritualidade, a vida da comunidade. E de vez em quando um retiro adaptado ao seu estilo de vida.

Todos, quer leigos no coração do mundo, quer fiéis de vida consagrada, mesmo as monjas e os monges nos mosteiros, temos o sacrário do coração, para onde nos podemos recolher e renovar a nossa aliança com Deus.

É como um refúgio a partir do qual podemos retemperar e rectificar a nossa consciência. É como que a montanha interior, nosso Tabor quotidiano, que “subimos” ao entrarmos em nós. Pois no segredo do coração Deus gosta de morar e de se comunicar. No coração do mundo, a partir da montanha interior, onde Deus está.




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