Fotografia:
Lirismo não, por favor

Desconheço os dois artigos referidos pelo autor do texto com este título, publicado em 10 de Setembro, mas sinto o que ele afirma. Creio que o meu poema “Grândola” reforça o que defende. Esta “Grândola” é extensiva a todos e todas as instituições que ainda não nos deixam ser livres.

N/D
12 Set 2004

Grândola
Eu queria ouvir a Grândola na minha Escola.
Eu queria poder cantá-la
Sem censura nem repressão,
Podia ser Morena ou Multicolor
Como o arco-íris,
Mas eu queria tê-la por Companheira.
Eu queria a Grândola dos ideais
Do Zeca Afonso
E não a Grândola dos pseudo-seguidores
Do Homem
Que lutou e sofreu pela Liberdade.
Eu queria a Grândola da Justiça
Em que o dito
É igual e transparente para todos.
Eu queria a Grândola do Sonho
Que comanda a vida.
E transmitir esse sonho aos meus alunos.
Eu não quero a Grândola da invenção gratuita,
Nem a Grândola que amordaça
O grito da revolta.
Eu quero a Grândola da Escola fraterna
E que quem ordena
Use a capacidade de discernimento,
E veja todos e cada um
Como Pessoas.
Que em cada classe de trabalhadores, na minha Escola
Uns não fossem mais que os outros
Pela postura de “Srs. Morgados” que ostentam.

Agora lembrei-me!
A Grândola na minha Escola
Não pode ser cantada
Está proibida,
Aquela Grândola do Zeca Afonso!

Mas eu cantá-la-ei
E jurarei tê-la por Companheira.
E se neste momento
Não a puder cantar
Dentro de ti, ó Escola,
Cantarei nas grades de ferro que te circundam
Fora de ti, ó Escola.
Sei que alguns, podem ser poucos,
Mas ouvir-me-ão!




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