Fotografia:
Espectáculo subversivo programado com mestria

Logo que a senhora aí apareceu – Schengen dá para tudo – a chamar-nos um povo atrasado, a criticar pessoas e instituições do Estado, a mostrar toda a sua preocupação pelo que ia acontecer na Europa com a ida do político português conservador para presidente da Comissão; logo que vi os meios de comunicação social a escancararem-lhe as portas, a fazerem entrevistas de página inteira, a dar-lhe inusitado realce nos noticiários televisivos das horas nobres e a acolherem-na como a salvação que chega; logo que tomei consciência, pelo que lhe fui ouvindo e aos seus inúmeros e variados acólitos – ela vinha-nos abrir os olhos e encabeçar a luta nacional pelo direito de abortar livremente – fiquei atento, porque era de prever que o espectáculo ia continuar.

N/D
12 Set 2004

A senhora é uma jovem holandesa, chama-se Rebecca Gomperts, fundadora de um movimento abortista. Foi logo arvorada em grande defensora das mulheres portuguesas que trazem filhos no seu ventre e querem reconhecido o direito de os poderem matar.
Uma campanha civilizacional em nome do progresso!… Está bem de ver.

Finalmente o barco chegou. Tenho visto, ouvido, lido e recortado, reflectido e tirado conclusões.

Não fora o que ainda resta da guerra do Iraque, o início do futebol e alguns lamentáveis desastres na estrada, não haveria nestes dias outra notícia mais importante para o país que o barco do aborto.

Assim o quer e o faz o Portugal paralisado folclórico, que é também o mais mediático, porque o Portugal que trabalha, apesar de bombardeado a cada hora, tem sabedoria e senso para ir andando, não lhe pesando muito os epítetos pouco agradáveis que sobre ele lançam os inteligentes da pátria.

Um reboliço nacional, digno de atenção e com muitas interrogações à superfície. Nele entram, em catadupa, governantes, partidos políticos, deputados, associações abortistas, intelectuais da praça, médicos de especialidade, jornalistas à procura de notoriedade, jovens e curiosos, deputadas do Parlamento Europeu. E até já se está a gerar e a fomentar uma guerra com o presidente e, se não fora o senso comum, mesmo diplomática.

Nisto tudo, lá vai aparecendo uma ou outra voz sensata que convida à reflexão, porque o mais comum é o orgulho da vitória, a conquista de simpatia a qualquer preço, a ameaça de retaliação, o propósito de conquistar votos e clientes ou o receio de os perder, a abdicação impune de responsabilidades, a mentira programada, os interesses em causa, a gente arrebanhada na rua, para que a televisão mostre que o espectáculo tem sucesso.

E mais ainda: políticos a perorar de seus palanques inseguros, jornalistas sorridentes a correr por todo o lado, jovens deputados e outros menos jovens, os de sempre, convidados a ir ao barco, com reportagem televisiva permanente.

Nada falta, tudo bem programado para que não se perca nada da festa, não fossem alguns dos jornalistas mais intervenientes, também eles mordomos.

Não vem ao caso discutir, neste contexto, o direito à vida, direito anterior a qualquer outro, e muito mais o da vida inocente e indefesa. O ambiente não é de seriedade; por isso, também não é momento de reflexão nesse campo. Aliás, tudo está dito.

Para onde vai o país, quando os deputados em exercício contestam as leis vigentes, a razão se procura na rua, todos os meios servem para o que se pretende, se acolita uma estrangeira que dá o tom à contestação da nossa legalidade? Para onde, quando os partidos políticos alimentam divisões de conveniência ou se empenham no quanto pior melhor? Para onde, quando grupos de pressão, à solta, e subjectivistas dogmáticos querem ser os orientadores da nação?

O espectáculo começou à porta dos tribunais com deputados. Eles têm na Assembleia o lugar do confronto, mas preferem a rua para contestar as leis e fugir às regras democráticas. Será este o clima para resolver, no presente e no futuro, problemas humanos, urgentes, dolorosos e sérios?!…




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