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No rescaldo dos Jogos Olímpicos

Terminaram a 29 de Agosto os Jogos Olímpicos que decorreram com relativa normalidade tirando alguns casos, não muitos de doping, sempre reprováveis e alguns casos insólitos como o que ocorreu na corrida da Maratona.

N/D
11 Set 2004

As Olimpíadas são festas internacionais e tiveram a sua origem na antiga Grécia e realizavam-se de quatro em quatro anos; foram interrompidas aquando da Era Cristã e retomadas em 1896, sendo de novo interrompidas durante as duas grandes guerras mundiais.
As primeiras olimpíadas tiveram lugar em 776 a.C. em Olímpia e constavam de uma única corrida a pé de 183 metros à volta do estádio. Nela só eram admitidos homens. Mais tarde foram intro-duzidas outras modalidades, como saltos, lançamento do disco, corridas, etc.

Em 1896, nas chamadas Olimpíadas Modernas já se praticava: salto com barreiras, ciclismo, ginástica, tiro, ténis, natação, levantamento de pesos, luta, esgrima, corrida, etc. Actualmente o número de modalidades é muito maior.

O característico dos Jogos Olímpicos é a competição, destinada a pôr em destaque os grandes atletas mundiais.

Ora a competição é algo que faz parte, não só dos Jogos Olímpicos, mas do nosso dia a dia. Logo antes da concepção de um ser humano se dá uma competição entre milhares de espermatozóides e o óvulo; só um ganha e fecunda o óvulo dando origem a um ovo que depois segue o seu curso normal no útero materno, sendo já um ser humano. (Li um dia destes um artigo em que o autor, a propósito do Barco do Aborto, escrevia que só há um ser humano quando se dá o nascimento!!!). Pela vida fora a competição continua: no emprego, nos estudos, na vida social, etc.

Só é de lamentar que essa competição não seja, muitas vezes, acompanhada do espírito de serviço. Realmente, competir pode ser um serviço à comunidade se se procura melhorar o desempenho no emprego, nos estudos ou na vida social.

Competir na vida profissional pode ser um serviço à comunidade pois quem compete procura fazer melhor. O mesmo no estudo. O estudante que se empenha por conseguir uma boa classificação, ou até aspirar à melhor, está a valorizar-se para depois servir melhor no posto que vier a ocupar.

Eu gosto de dizer: «abaixo a mediocridade». Fora com quem se contenta por fazer o mínimo exigido; quase sempre acaba por não fazer o que lhe compete; na vida social também há competição e bem, se ela for um factor de valorização da pessoa humana.

As mulheres na vida social competem umas com as outras para ver quem se veste melhor, com mais bom gosto e distinção. Não estou a fazer um apelo ao luxo ou ao desperdício que representa andar sempre vestida com o último modelo. Esse até pode ser ridículo e é-o muitas vezes; basta olhar para as tendências da moda dos nossos dias!

Mas tudo isto, competição e serviço, podem e devem ser acompanhados da solidariedade. O funcionário que procura ser o melhor, compete, faz um serviço à comunidade, mas não deve deixar de ser solidário para com o colega que necessita da sua ajuda; o mesmo com o estudante – se é bom deve procurar ser solidário com os colegas menos favorecidos, ajudando-os no que for necessário.

Um caso verídico. A mãe de um bom estudante via a sua casa “invadida” por muitos colegas do filho nas vésperas de testes ou exames. Precisavam de ajuda e recorriam ao colega que sabia mais.

A mãe um dia disse-lhe: «Filho, em vésperas de exame perdes muito tempo com os teus colegas e podes prejudicar os teus resultados». A resposta foi: «Mãe, estás enganada, eles ajudam-me muito, porque enquanto lhes explico o que não sabem e os ajudo a resolver algum problema eu estou a aprender e a fixar melhor a matéria». É assim a solidariedade; é um bem que ajuda, não só quem dela beneficia, mas também quem a exerce.

Nos Jogos Olímpicos que agora terminaram houve muita competição. Será que podemos dizer que também houve serviço e solidariedade? Talvez. Quem ganhou medalhas não se esqueceu de sublinhar que as ganhava para o seu país ou para alguém querido – isto é um serviço. Em certas modalidades a solidariedade foi indispensável – quando funcionavam em equipa esqueciam-se de si mesmos para só pensar no colectivo.

Enfim – balanço positivo e agora… até daqui a quatro anos.




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