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Chover no molhado (43)

Vimos o que acontece ao pensamento racional quando este, na ânsia de purificação, se desembaraça do pensamento emocional e sentimental, ou os trabalha a seu belo prazer, subjugando-os.

N/D
11 Set 2004

O que acontece, então, sobretudo no campo social, é que, pura e simplesmente, o pensamento racional pensa mal. Gelado e rígido, altivo, sanguinário e despótico, abdica da compreensão e da ternura devidas ao outro, polvilhando o mundo de temores, horrores e tremores. Isto foi e continua a ser – aqui, ali e acolá – a tónica de todos os tempos.
Que acontece também aos pensamentos emocional e sentimental, quando estes, caprichosos, se desembaraçam do pensamento racional ou o subjugam na ânsia incontida de satisfazerem seus despóticos desejos ou paixões?

O que acontece é que estes pensamentos pensam mal e são “eixos do mal”. E pensam mal, claro, se as diferentes e variadas formas de pensamento não estão, entre si, unidas e conectadas, sem resistências, abertas e cooperantes em ordem ao cumprimento e satisfação dos desejos, os mais profundos, da pessoa humana.

E quais são estes desejos? Ei-los em síntese.

A conservação do indivíduo e da espécie humana. Como consequência, a pessoa humana pede guerra à fome e à morte prematura. O desejo de promover o crescimento de todas as nossas potencialidades. Como consequência, abram-se de lés a lés todas as comportas ao desenvolvimento do progresso. O desejo de socialização, sedento de humanização. Como consequência, facilite-se a cooperação interindividual. O desejo de transcendentalização, ou seja, o desejo profundo de fazermos estadia no Sacrário do Peito de Deus.

Na pessoa humana, estes va-riados e diferentes desejos devem estar harmoniosamente socializados e, por consequência, unidos, conectados e cooperantes entre si, em ordem à edificação do bem para si, pessoa, assim como de si para todos os outros.

Creio, meus amigos, estar aqui, na primeira fila, o calcanhar de Aquiles, referente ao evoluir da educação de cada um de nós. E qual é? É a dificuldade que temos de evitar o eclodir da desarmonia entre a Razão, a Emoção e o Sentimento.

E como se manifesta, então, o pensamento emocional e sentimental quando pensa mal e é escravo do “eixo do mal”? Manifesta-se com clareza, quanto às emoções ou sentimentos, sobretudo negativos, como a cólera, a depressão, a ansiedade, a irritabilidade, o receio…, através das suas explosões ou descontrolos.

Qual é a factura que temos de pagar por estes descontrolos? É o exagerado e inútil queimar de energia, que depaupera o organismo. E, como consequência, quem paga é o corpo.

Onde vai desaguar este caudal impetuoso de descontrolos inúteis? Eu vos digo, falando pela boca de outros: ao suicídio; aos assassínios; aos roubos e violência; às gravidezes indesejadas; às incontinências dos actos sexuais; a uma vida instável, vazia e infrutífera; ao consumo de drogas; à delinquência; à agressividade…

Vou chamar a esta emoção descontrolada a “droga das drogas”. E porquê? Porque, aqui, nesta bebedeira emocional, está a raiz de tantos choros e gemidos. Qual é o freio ou travão que evita esta bebedeira? Vou ver se o identifico.




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