Fotografia:
Carta Aberta ao Presidente da Câmara de Vila Nova de Famalicão

Ex.mo Sr. Sendo eu um habitante do município do qual V. Exa. é Presidente e cumprindo com todas as obrigações como cidadão do mesmo, venho por este meio exprimir a minha profunda revolta por aquilo que considero uma falta de respeito, civismo, inteligência e um atentado à liberdade de que os “líderes” tanto apregoam neste país.

N/D
7 Set 2004

Na passada sexta-feira (03/09/2004), chegando a casa com a minha família, fiquei surpreendido com música com um volume muito exagerado, que em primeira análise pensei ser proveniente de algum concerto na “Feira de Artesanato”.

Como já eram 23h45 e estavamos cansados fomo-nos deitar na esperança que por volta das 00h00 esse ruído acabasse. O tempo foi passando e por volta das 00h30, como o ruído não acabava e a minha família não conseguia dormir, fui à varanda ver o que se passava.

Qual não é o meu espanto ao ver que, afinal, aquela algazarra não era proveniente da “Feira de Artesanato”, mas sim de um acampamento de cidadãos de etnia cigana em pleno espaço da Feira Municipal.

Um pouco contra vontade lá contive a intenção de telefonar às autoridades para fazer uma queixa e às 01h30, a música parou e eu, a minha esposa grávida e o meu filho de dois anos conseguimos finalmente adormecer.

Sábado, chegamos a casa para jantar e a algazarra já tinha começado. Aumentando um bocado o volume da televisão, lá nos conseguimos abstrair um pouco e fazer a vida familiar.

Chegada a hora de deitar e uma vez que o ruído era insuportável, a minha esposa telefonou para a esquadra da PSP desta cidade, apresentando os factos que a levaram a efectuar essa chamada e depois de alguns comentários menos felizes por parte dessa autoridade lá foi informada que a Câmara Municipal, na pessoa do vereador Jorge Carvalho, tinha emitido uma Licença de Permanência aos cidadãos de etnia cigana e que o melhor seria contactar a Polícia Municipal, porque essa entidade é que poderia resolver essa situação.

Uma vez contactada a Polícia Municipal foi informada que se encontravam apenas dois agentes de serviço e tinham ordens de se deslocar para a “Feira de Artesanato” (que fica no recinto contíguo à Feira Municipal), por isso não podiam fazer nada e o melhor era comunicar com a PSP.

Efectuadas mais duas chamadas à PSP, que mais uma vez teve um comportamento que pouco ou nada tem a ver com a autoridade, concluímos que quem poderia fazer algo por nós não o iria fazer.

Assim sendo, estivemos acordados até às 06h00 de domingo a ouvir uma música que em alturas normais é irritante, pior em alturas como esta… (a música recomeçou às 10h00 de domingo)!!!

Expostos que estão os factos, pergunto:

1.º) Será que os habitantes da zona da Feira Municipal não pagam a contribuição autárquica como os outros, ou são habitantes de segunda categoria, e por isso têm que se sujeitar a dormir mal ou não dormir nas “Festas Antoninas”, “Queima das Fitas”, “Concentrações de motards” e às marteladas dos feirantes todas as madrugadas de quarta-feira?;

2.º) Quando escolheu os “seus” vereadores, qual o critério que utilizou? (Por exemplo: profissionalismo, inteligência e bom senso)?;

3.º) Será que qualquer cidadão pode obter uma Licença de Permanência em locais públicos e aí fazer uma festa privada? Esta liçença permite também a emissão de ruído a horas em que por Lei está proibido?;

4.º) Já que os responsáveis pela nossa autarquia gostam tanto de festas e arraiais pelo noite dentro, porque é que não as fazem à porta da respectiva casa?);

5.º) Será que esses mesmos responsáveis já ouviram dizer que «a nossa liberdade acaba onde começa a dos outros»?;

6.º) Por que motivo é que os agentes da Polícia Municipal durante o dia são mais do que muitos e à noite apenas dois? Será porque a caça à multa não é tão lucrativa?
Sr. Presidente, não é com este tipo de liderança e políticas que se obtém o que os políticos tanto precisam: votos. Pelo menos, os nossos não!!!

Respeitosamente José Luís Costa




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