Fotografia:
A problemática das reformas educativas

Um ensino verdadeiramente eficaz deve estar em constante reforma

N/D
7 Set 2004

Ao longo dos últimos anos muito se tem dito, discutido e questionado acerca das chamadas “reformas educativas”. Cada vez mais se generalizam concepções e ideias (a meu ver, erradas!) de que os alunos de hoje pouco sabem.
Antigamente não se andava tanto tempo na escola e aprendia-se muito mais, é o que dizem. Certamente também já ouvimos dizer que a escola promove a delinquência, o consumo de álcool, tabaco e outras drogas ou, simplesmente, não instrui.

Perante este cenário, talvez o conceito de “reforma” venha logo à ideia. Emerge uma necessidade imperiosa de mudar, alterar o rumo das coisas. De facto, um ensino verdadeiramente eficaz deve estar em constante reforma e o mesmo será dizer em constante mudança.

Torna-se, então, uma necessidade premente questionar o “porquê” do fracasso das reformas educativas implementadas até então. Talvez na base dessa ineficácia esteja o (não) comprometimento dos professores no âmbito dessa iniciativa. Senão vejamos: por mais bem preparada que seja a reforma, esta nunca poderá vingar, caso os docentes se mostrem relutantes ou apreensivos com a ideia.

Nunca poderemos esquecer que os professores são os verdadeiros executores do currículo. São eles que, numa última fase, tornam prática toda uma teoria curricular precedente.

Se atentarmos um pouco sobre as reformas introduzidas no sistema educativo português ao longo da segunda metade do século XX, facilmente percebemos que os resultados negativos se deveram, em grande parte, à incapacidade das escolas em concretizarem um currículo adequado. Para além disso, os professores não eram vistos sobre uma perspectiva autónoma, o que à partida me parece um prenúncio evidente de insucesso.

Um professor que é autónomo e que sabe gerir convenientemente o currículo e o sabe adequar aos vários contextos educativos, parece-me ser fundamental. Diria mesmo, imprescindível, se queremos obter esse tão desejado êxito escolar.

É preciso mudar, é preciso inovar, é preciso evoluir. A mudança, no contexto educacional, depende, em grande parte, da forma como os professores a conseguem construir.

No entanto, é importante ter em conta que as reformas e toda a construção curricular que lhe é inerente, centram-se nos professores, mas é nos alunos que os resultados dessa reforma se vão verificar.

Antes de tudo, qualquer que seja o currículo a implementar, esse tem de ser ajustado aos interesses dos alunos pois a motivação é um factor de extrema importância na sua vida escolar. Motivar os alunos para a aprendizagem não será, efectivamente, uma tarefa fácil atendendo à diversidade de interesses e gostos pessoais.

Apesar disso, não é uma tarefa impossível de concretizar! Importante é que os professores encarem esta tarefa como um desafio e não se deixem, à partida, desmoralizar.




Notícias relacionadas


Scroll Up