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Nótulas soltas da minha agenda

Não é politicamente correcto fazer estas afirmações, mas é a pura verdade: abortar é interromper uma vida ou seja, matar um ser vivo

N/D
6 Set 2004

1 O “Barco do Aborto” é um vergonhoso e tristíssimo episódio de pressão internacional sobre o querer dos portugueses. Portugal está a ser tratado como um país sem liberdade, de brutos e cruéis cidadãos! Um desaforo!
O Aborto, chamado eufemisticamente Interrupção Voluntária da Gravidez, é sempre, e é preciso dizê-lo abertamente, um acto que implica matar uma vida nascente. Quer seja um acto cirúrgico ou químico. Não é politicamente correcto fazer estas afirmações, mas é a pura verdade: abortar é interromper uma vida, ou seja, ma-
tar um ser vivo – um Homem neste caso.

Agiu bem o Governo? Julgo que não tinha outra alternativa para a salvaguarda da nossa liberdade como nação. Obviamente que “deu” publicidade gratuita, sobretudo com a comunicação social mais atenta ao escândalo que à justiça.

O problema (os problemas) do Aborto não se trata(m) assim. Há vários aspectos que têm de ser equacionados, nomeadamente o cumprimento da lei, a situação da mulher-mãe, os deveres do homem-pai, mas também os direitos do bebé, sobretudo o seu direito à vida.

2. Visitei, em férias, o mosteiro cisterciense de Oseira, Espanha. Um cenóbio vivo de longuíssima vida. Como não podia deixar de ser trouxe o seu licor, que já provei e aprovei! Mas também trouxe livros. Entre outros a história: a história do mosteiro de Santa Maria de Oseira e um estudo sobre um teólogo medieval que ansiava conhecer: Guilherme de S. Thierry.

Um gosto que saboreei em férias com outros livros, alguns não tão edificantes como a autobiografia de uma Mulher especial e espantosamente ousada: a Marquesa de Jácome Correia, uma açoreana que “intimou” com alguns dos mais brilhantes espíritos portugueses do século XX, o último dos quais foi Vitorino Nemésio.

Uma autobiografia em dois volumes (“Amores de uma cadela pura” – Bertrand Editora) que quase parece um romance de uma aventureira do coração do século XVIII decadente: libertina, ousada e infringindo e subvertendo as normas morais aceites. Também de uma mulher que sofreu muito ao longo da sua vida.

3. Senti-me envergonhado com o comportamento (mais do que com os resultados) da nossa equipa de futebol nas Olimpíadas. Aquelas criaturas tiveram atitudes inqualificáveis.

4. Estou a ler a autobiografia (como gosto deste género literário!) da última Imperatriz da Pérsia. Há anos tinha lido a do seu marido, o Xá Reza Pahlavi. Sempre é bom conhecer outros “lados” da história. Mesmo da pequena história. Ao ler esta biografia fica-se com a ideia do que era o mundo persa antes e depois da Segunda Guerra Mundial e do papel que teve um Homem, ainda que tenha cometido inúmeros erros que pagou com o exílio, na modernização do seu país. E como regrediu com a chegada ao poder dos fundamentalistas!

Farah Diba, última Imperatriz, com formação em arquitectura, moderna e liberal vê, hoje, com imensa amargura o seu país regredir e ver que os direitos da Mulher são (quase) totalmente ignorados. O Ocidente deveria pensar nesta realidade. Cada um de nós.




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