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Apoio psicológico… e pouco espiritual

Nos relatos sobre o acidente que vitimou dezenas de portugueses – oito mortos e mais de trinta feridos – na A63, entre Bayonne e Bordéus (França), no domingo, dia 29 de Agosto, de madrugada, vimos algumas referências (ou, por contraste, uma certa ausência) que nos fizeram reflectir, sobre outros acontecimentos igualmente trágicos, mas com outra envolvência de índole cristã:

N/D
6 Set 2004

* vimos um autarca atento, falador e enquadrado nos factos; não vimos ninguém ligado à expressão da fé (padre ou algum cristão) a aparecer naquele panorama;
* vimos pessoas em busca de ajuda na sede de uma Junta de Freguesia; não vimos qualquer imagem da Igreja nem qualquer alusão ao seu agir;

* vimos e ouvimos que havia quatro psicólogos destacados pela sub-região de saúde e de um hospital; não vimos nada nem ninguém do âmbito espiritual a ter intervenção (activa ou passiva) naquele quadro sócio-religioso de cristandade.

Noutros momentos traumati-zantes de pessoas, famílias ou grupos sociais – como nos atentados de 11 de Março, em Espanha – vimos a alusão e constatamos por imagens a presença concomitante de psicólogos e padres na tarefa de ajudar as pessoas, famílias e grupos a enquadrarem aqueles acontecimentos.

Neste caso português – embora com notícias tanto na região de Braga e Guimarães como junto dos hospitais onde os falecidos e os feridos estavam – não conseguimos perceber qualquer apoio de carácter espiritual, vendo empolado o papel – necessário mas não exclusivo! – de psicólogos e entidades político-autárquicas. Uns e outros têm a sua tarefa, mas os “faltosos” também deveriam assumir o seu lugar, função ou presença.

Será que esta onda de recurso à psicologia significa alguma reacção a um certo entendimento (negativo) da dimensão espiritual da vida e da pessoa humana?

Onde estavam os cristãos a dar a face na hora da dor e do luto? A não-referência clara e visível será equivalente à ausência?

Certas interpretações – particularmente do fenómeno migratório, por parte de um responsável episcopal da área em causa – foram bem reflectidas ou eram escusadas naquele contexto?

Como irão decorrer os processos de luto? A Igreja Católica terá de reduzir-se à expressão de enterramento ou deverá fazer mais e, sobretudo, melhor a ajuda aos fiéis?

Na medida em que soubermos tratar dos mortos estaremos, afinal, a dignificar a existência – consciente, assumida e adulta na fé – dos vivos. Este episódio deveria ser reflectido com mais serenidade, mas também com a profundidade que a matéria exige.




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