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Santos: vidas que atraem

Com a beatificação de três elementos da Acção Católica, dois italianos e um espanhol, confirma-se, de certo modo, o valor da Acção Católica para gerar vidas exemplares.

N/D
5 Set 2004

1[A partir de hoje], a Igreja Católica terá mais três beatos, todos eles relacionados com um movimento que ao longo do século XX marcou várias gerações de cristãos: a Acção Católica (AC). Para muitos, este movimento – o único de leigos referido nos documentos do Concílio Vaticano II – foi sinónimo de empenhamento cristão, por vezes com exclusividade na vida das paróquias. Entre nós a AC (na forma de Juventude Operária Católica, Movimento Católico de Estudantes, Acção Católica Rural, etc.) já não tem o fulgor de outros tempos, mas continua a ser um modelo de compromisso e de transformação evangélica do mundo. O seu método de actuação (o célebre “ver, julgar e agir”), com mais ou menos adaptações, é um modo válido da actuação cristã no mundo, mesmo para quem não faz parte da AC. Com a beatificação de três elementos da AC, dois italianos e um espanhol, confirma-se, de certo modo, o valor da AC para gerar vidas exemplares.
2. Quando falamos em “beatos” ou “santos”, parece que usamos termos demasiado gastos, do passado, e por vezes com conotações negativas. Mas de modelos significativos de prática cristã continuamos todos a precisar. A vitalidade do cristianismo no mundo actual pode mesmo ser medida pela capacidade de “produzir” vidas que atraiam e dêem vontade de ser como eles. Em vez de beatos e santos, talvez devêssemos dizer “modelos exemplares de vida cristã” ou “vidas altamente significativas”, mas a realidade é a mesma.

3. No seu pontificado, João Paulo II elevou aos altares mais pessoas que todos os seus antecessores: 1815 beatificados e canonizados. Para alguns, parece excessivo este afã de “fazer santos”. Mas há uma pretensão clara nestes números: a santidade não é para um grupo restrito, não é uma excepção na Igreja, é um convite para todos os cristãos, em todos os sectores da vida, em todas as condições. Contra o pessimismo de “este mundo está cada vez pior”, há muitas pessoas que se esforçam por melhorá-lo e que, elevendo-se, elevam o mundo.

4. Alberto Marvelli (1918-1946), ao contrário do rebelde sem causa, James Dean, com quem se parece, tinha uma: «O meu programa de vida resume-se numa palavra – santidade». A frase escrita na adolescência foi concretizada em actividades como o socorro a feridos em tempo de guerra, a participação política em tempo de paz (porque a actividade política pode ser «a expressão mais alta da fé vivida»), a fundação de uma universidade popular («não é necessário levar a cultura só aos intelectuais mas a todo o povo») ou no difícil cargo de distribuir casas na cidade de Rimini depois da destruição da II Guerra Mundial. Quando a caminho de um comício foi atropelado mortalmente por um camião militar, tinha apenas 28 anos. Mas uma vida breve pode ser grande. E esta foi-o porque cumpriu o que dois anos antes Alberto escrevera num pequeno bloco: «Servir é melhor do que fazer-se servir. Jesus serve».

* In Correio do Vouga (01.09.2004)




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