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A liderança socialista

Com o não de António Vitorino, em caminhar em minas e armadilhas que abundam no interior do PS,parece indiscutível que a liderança do maior partido da oposição recairá em José Sócrates.

N/D
5 Set 2004

Nunca seduzido pela opção socialista quando exerço o dever de votar, porque entre muitas outras razões, o citado partido revela uma gritante contradição entre o que apregoa e como actua, não resisti a meter foice em seara alheia. Aliás, o facto em si, não é mais do que ilustrar com exemplos, o que atrás foi referido.

Para avaliar os potenciais candidatos à liderança, seria pouco curial deixar despercebido o que lhe deu origem, a demissão do Secretário Geral. Ferro Rodrigues, foi muito habilidoso. Sabia que só poderia chegar ao cargo de primeiro ministro através de eleições antecipadas.

O desgaste a que foi sujeito durante dois anos fazia adivinhar que no próximo congresso não teria qualquer hipótese de ser reconduzido. No desgaste referido, houve alguma culpa própria ao ter lidado mal com o caso do Processo Casa Pia. E, pior ainda, é que tem demonstrado que não aprendeu com os erros cometidos!

Seria algo curioso, ouvir as controversas cassetes que deram origem a uma reacção violenta de Ferro Rodrigues. Para além de pazadas em quantidades industriais, que é seu apanágio, na eventualidade do Presidente da República ter tido em conta a dita amizade de longa data (tão infeliz a frase do demissionário!) e ter convocado eleições antecipadas, com o presumível êxito do PS, teríamos como possíveis certas frases como estas expressas pelo mais certo, indigitado primeiro ministro: «não respondo a esses… da oposição». Ou então, «estou-me… para o que diz a oposição». Se adivinho, que não seria assim no exercício de um cargo tão relevante, também sei que não é fácil perder maus hábitos.

Pelo efeito, num dirigente político com aspirações e possibilidades de assumir a chefia do governo, tal fraseado nunca deveria ter existido. Daí, a dedução lógica, que houve muita culpa própria do ex-secretário geral socialista. E, como referi, parece não ter aprendido com os seus próprios erros.
O estardalhaço que fez com o caso das cassetes, o demonstrou. As tais onde talvez conste linguagem própria de taberna de aldeia. Já inserido no adágio “rei morto, rei posto”, que se avizinha, tentarei ser o mais sucinto na avaliação dos três candidatos à liderança.

Manuel Alegre, uma vez mais me deixa triste. Designado pelo seu camarada, Francisco Assis, de pertencer à sucata ideológica do PS, o deputado eleito pelo círculo de Aveiro, não tem consciência de que a sua época já dista o suficiente, para saber que os políticos do seu estilo, já passaram efectivamente à história?! Ajuizará que o país ainda é igual à era do seu exílio em Argel?

João Soares, cognominado por amigos meus socialistas, como sendo o João Baião da política, e que, já foi alguém, graças à influência do pai, deveria saber que junto dos militantes, é pouco mais que zero. Tal como Manuel Alegre, Mário Soares, já não tem qualquer influência partidária. O próprio, com a sua postura, de expressar dislates ao desbarato, por certo que o faz para se afirmar que ainda existe como político.

Confesso porém, que achei hilariante, algum fraseado usado por João Soares, no ataque que tem feito aos seus camaradas em especial a José Sócrates! Disse com todo o orgulho, que ostenta o punho fechado que segundo ele, é o símbolo que fará regressar a esquerda ao partido!

Tem falado também em interesses instalados no seu PS! Gostaria de saber, e muitos portugueses por certo, o que esteve na origem da paixão assolapada, entre a família Soares e o movimento guerreiro UNITA de Angola, identificado com a extrema direita!

O facto deste partido combater a propagada ditadura do MPLA, não colhe. Será que só a família Soares, «não sabe» que Jonas Savimbi mandou executar alguns dos seus generais, porque este cometeram o crime de discordar da opção seguida pelo chefe?! Que estranha forma de exercer a democracia e, pelos vistos, apoiada pela família Soares!

Será uma esquerda assim, «tão democrática», que o candidato João Soares pretende implantar no seu partido? Tem abordado com ênfase, que fez obra na Câmara de Lisboa, enquanto outro (refere-se a Sócrates), apenas fez parte de um governo.

Se concretizou projectos tão relevantes, porque foi rejeitado na possível recondução? De facto, uma que agora surge à mente, foi a de ter concedido um grande espaço com obras de vulto realizado à custa do erário público, à Opus Gay, e de o ter inaugurado com toda a pompa. Entretanto, na capital lisboeta, os prédios degradados vão ruindo…

Com o não de António Vitorino, em caminhar em minas e armadilhas que abundam no interior do PS, parece indiscutível que a liderança do maior partido da oposição recairá em José Sócrates. Para além de outros trunfos, ainda não o ouvi criticar nenhum dos dois outros candidatos. Também isto é elucidativo.

Nota: Na origem da paixão assolapada pela família Soares pelo movimento guerreiro, UNITA, são negócios de diamantes, envolvendo também João Cravinho e Almeida Santos, estes de forma mais discreta. Infelizmente, não somos tão livres como apregoam pois não podemos desmascarar situações como a que ilustro e outras, que conduziram a sociedade actual para um estado de podridão, que estava bem longe de imaginar que tal pudesse acontecer. Enfim, é o país que temos e é com ele que temos de viver.

* Valença




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