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Educar – a arte por excelência (8)

Desde que Rosseau distinguiu o Homem do cidadão, entendeu-se que não se podia ser o primeiro sem se ser o segundo

N/D
3 Set 2004

A teoria alemã da formação retoma a ideia cristã de que o Homem é um ser histórico, que se realiza numa génese individual que não é simples desenvolvimento, mas sim um evoluir permanente.
Pois, o traço característico do conceito de formação é que esta diz respeito tanto ao aspecto moral da natureza humana como ao intelectual, de tal modo que a plenitude real e concreta do indivíduo só pode esperar-se com o advento de um carácter sólido, já que é sob este que se entendem os traços morais do Homem.

Consequentemente, no conceito clássico de formação está a dimensão da moralidade e que ela é também fruto, não da va-riedade de conhecimentos, mas sim da estrutura unitária dos mesmos: «a posse de conhecimentos especiais não constitui de per si a formação, pois esta assenta na relação de tais conhecimentos com os seus fundamentos e as suas coordenadas, e na elaboração do material pelo espírito para conseguir uma posse livre; com o que consegue também uma elevação de si mesmo sobre a tosca imediatez do ser e do ter» (Schmid, 1876).

Por seu turno, e na mesma linha de ideias, já Schleiermacher (1835) caracterizava o conceito de formação (para o indivíduo e também para a humanidade) como a progressiva manifestação da acção da razão sobre a natureza. Este pedagogo concebe, a par das ciências naturais, a doutrina moral que, de um modo especulativo, procura compreender a acção da razão sobre a natureza.

Contudo, nos finais do século XIX e início do século XX, o ideal de formação já não representa o Homem livre, mas sim o Homem “estético”, que sabe falar, eloquente e artisticamente, sobre o intranscendente. Devido ao conformismo oportunista em que se transformou a componente crítica, o ideal da formação da personalidade converteu-se numa fórmula vazia que, apesar de algumas tentativas de certos pedagogos neoidealistas, já não voltou a alcançar o seu significado originário.

Desde que Rosseau distinguiu o Homem do cidadão, entendeu-se que não se podia ser o primeiro sem se ser o segundo, de tal modo que a integração de ambos os elementos constitui o ser do Homem real.




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