Fotografia:
Unidade

Sou, convictamente, a favor da unidade. Acredito que os homens – todos os homens – têm um Pai comum e são chamados a constituir uma única família.

N/D
2 Set 2004

Não confundo unidade com uniformidade. O Pai comum, que a todos criou, não fez dois homens iguais. Com que autoridade vão alguns homens exigir que outros homens em questões discutíveis pensem como eles pensam, aplaudam o clube que eles dirigem, apoiem o partido em que eles militam e de que muitas vezes se servem, vistam como eles vestem, gostem do que eles gostam, etc., etc.,?

Não entendo a unidade sem o respeito pela legítima diversidade. Cada homem tem direito a ser ele. A manter a sua personalidade. A poder imprimir, no que faz, a própria assinatura. A manter as próprias impressões digitais.

Há questões essenciais e questões acidentais. Há certezas e há opiniões. Se é insensatez afirmar que três mais dois não são cinco, também me parece insensato exigir que todos – em questões discutíveis, repito – perfilhem as mesmas ideias e defendam as mesmas opiniões.

Cada homem tem o direito de pensar pela própria cabeça, de decidir segundo os seus critérios, de agir de harmonia com a sua consciência rectamente formada. Uma coisa são os homens e outra, a carneirada.

Defendendo a unidade, entendo que a mesma se não pode construir à custa de cedências em questões essenciais. Não me parece legítimo que para manter a unidade – neste caso, uma falsa unidade, uma aparência de unidade – se ceda em questões de princípios. Há assuntos em que se não pode transigir.

E um dos males da nossa sociedade é a busca dos consensos à custa de cedências no que se não devia ceder e a confusão que se faz entre a tolerância e a firmeza em questões de princípio. Tais consensos não passam da imposição do parecer do mais forte.

Sou, como disse, convictamente a favor da unidade. Mas não vou, para manter a unidade, deixar de afirmar, por exemplo, que o aborto provocado é um crime e que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é um disparate.

Não vou, por causa de manter a unidade, deixar de dizer o que penso e deixar de assumir as atitudes que entendo dever tomar. Uma coisa é o trabalho a favor da unidade e outra, a abdicação em matérias onde a abdicação não é admissível.




Notícias relacionadas


Scroll Up