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Palavra dos políticos e do homem simples

Somos cada vez mais um país onde os eruditos se pronunciam de forma por vezes exuberante, parecendo esquecer os outros, os cidadãos que não conseguiram atingir patamar tão elevado.

N/D
2 Set 2004

O saber, o conhecimento, merecem sempre o maior respeito, são valores que enriquecem o humano e beneficiam o país. Mas temos outros valores e princípios, porventura menos notórios, direi mesmo quase anónimos, que felizmente existem em tal quantidade que talvez superem mesmo os primeiros.
Refiro-me ao homem simples, humilde, trabalhador que não teve a fortuna ou sorte ao seu lado e apenas vive para a família e comunidade. Alguns são poetas, outros contam-nos lindas histórias e todos são prestáveis, capazes de tudo sacrificar pela família e amigos.

Não são versados em filosofia, mas têm um outro conhecimento, a experiência da vida, o sofrimento, o amor ao próximo e a sua palavra, que assume e respeita como contrato ou compromisso; dela é escravo. Os seus actos são a sua imagem, é admirado sem necessitar de artifícios, é sempre bem recebido, facilmente supera as dificuldades, porque a sua palavra é um crédito seguro.

Raramente promete, porque ao fazê-lo está a assumir e precisa estar ciente do que pode ou não fazer. Não se exibe mas age e honra sempre a palavra dada, ao contrário dos que muito prometem e pouco fazem! É este o homem que anda confuso, não se adaptou à nova vaga de políticos que em campanha prometem e depois tardam em cumprir, ou não cumprem.

Programas e projectos pouco lhe dizem, tem fé e acredita no futuro se o trabalho surgir, se os campos produzirem e se Deus ajudar. Raramente lê o jornal, porque em verdade também não entende muito do que lá se diz…

Alguém duvida que este cidadão existe, exerce o direito de voto e paga impostos! Por muitas sondagens que se façam, é talvez tempo de se reflectir sobre o passado, analisar o presente com toda a problemática decorrente da sucessão de governos, dos problemas de justiça, do desemprego, da saúde e da educação e, se possível, sem esquecer a solidariedade social e o apoio aos excluídos socialmente.

Queiramos ou não, o cidadão com estes atributos ainda existe para bem do país e de todos nós. Para construir o futuro, o país espera que os nossos políticos se aproximem do cidadão, num contacto simples e elucidativo, com projecto exequível, que deixe ao cidadão uma ideia e vontade de cumprir.

A palavra do político tem de ser igual à do homem simples e humilde, que sempre cumpre o que promete. Não chega que a consciência política esteja tranquila, é necessário que o prometido tenha sido cumprido. Só assim o cidadão comum sentirá vontade em votar e participar na vida política do país. Maquiavel sugeriu uma solução para o problema do seu país, dos nossos políticos esperam-se soluções para os problemas que afligem os portugueses.

Quando as economias surgem enfraquecidas com o aumento do preço do petróleo e a retoma económica parece adiada, julgo oportuno, com o aproximar de novas eleições, garantir a estabilidade social e responder às carências das famílias e cidadãos vítimas da crise. Para tudo é necessária também a vontade política.

Desde 1976, a Constituição da República Portuguesa refere direitos e deveres sociais e económicos, segurança social e solidariedade, como incumbências prioritárias do Estado… São dificuldades a mais num país em crise. A solução vai ser difícil…




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