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Em defesa da vida humana, contra a hipocrisia

É altura dos cristãos que estão envolvidos na vida política mostrarem a coerênciadas suas atitudes com a sua fé

N/D
31 Ago 2004

O nosso país está envolto num grande debate, motivado pela questão do “barco do aborto”. Mais uma vez, as organizações pró-aborto tentam reabrir a ferida, não se conformando com a decisão do povo português, no referendo de Junho de 1998.

É bom relembrar que muitos dos que apregoam que aquele referendo não teve efeitos vinculativos, pois menos de 50 por cento dos eleitores foram às urnas, são os mesmos que nas eleições europeias de 13 de Junho transacto invocavam a sua legitimidade (61 por cento de abstenção) para solicitar a demissão do Governo e convocação de eleições legislativas.

Mais uma vez, aqui fica demonstrada a contradição, pois os dados e resultados eleitorais são sempre lidos segundo a nossa própria óptica.

O nosso Governo proibiu a entrada do barco, que nada mais é que uma clínica abortista, alegando e bem, na minha opinião, questões de soberania e de saúde pública. Esta embarcação desafia continuadamente a autoridade e a legislação dos países que defendem políticas a favor da criança e da vida humana, como o caso da Polónia, Irlanda, Malta e Portugal.

Veio até ao nosso país a pedido de algumas associações, desconhecidas de todos nós, pois nem sequer sabemos os seus objectivos e fins sociais, nem o número de associados. Todos nós sabemos que basta haver um mínimo de pessoas (menos de dez), para fundar uma associação. O mais grave é que algumas delas são patrocinadas pelo Instituto Português da Juventude, ou seja, com dinheiro do erário público, para defenderem actos contrários à lei da República.

Advogam o direito da mulher, mas esquecem o direito primeiro e fundamental, sem o qual nenhum dos outros existe – o direito à vida. Como é que se defende o direito à escolha do aborto, se existe a vida de um outro ser humano em questão?

O direito à vida é inquestionável. Por isso se bateram gerações de pessoas, contra a pena de morte, a escravatura, o genocídio e a limpeza étnica.

Muitos querem transformar a questão do aborto numa questão de consciência pessoal, delegando para a pessoa a opinião, fazendo jus a «cada cabeça, cada sentença». É uma boa maneira, ao jeito de Pilatos, de lavarem as mãos sobre o assunto. Os deputados foram eleitos pelo povo e são os seus directos representantes. Para isso estão no Parlamento. Têm que ser coerentes com o pensamento de quem os elegeu.

Penso que é altura dos cristãos que estão envolvidos na vida política mostrarem a coerência das suas atitudes com a sua fé. No Livro do Apocalipse, temos uma passagem que diz: «sede quentes ou frios, pois os mornos eu vomito-os da minha presença». Nos Evangelhos, Jesus refere mesmo: «as vossas palavras sejam: sim, sim, e não, não. Tudo mais é do maligno».

De uma vez por todas há que encerrar este assunto e definir uma política de defesa da vida humana, em todos os seus estados de existência, desde a concepção até à velhice. As comunidades cristãs e associações juvenis de inspiração cristã e defensoras da pessoa humana promovam acções de formação e sessões de esclarecimento, pois a dúvida e desconhecimento da verdade grassam na nossa sociedade.




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