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Só porque está na moda

A moda está mais do que nunca na moda. Assistimos à luta entre vestir ou despir a mulher. Ora, sendo a moda uma arte, a arte de vestir, só tem sentido se veste. Sublinhar a nudez não é vestir. Para isso não necessita de desenhistas nem costureiros.

N/D
28 Ago 2004

A roupa nasceu da natural necessidade de nos protegermos do frio ou do calor. Mas, para além disso, e porque vivemos em sociedade, há-de contribuir também para que nos vejam com um aspecto agradável, harmónico.
Como todas as facetas da arte, a moda reflecte as ideias que comandam uma civilização. Não há coerência e harmonia na moda, quando falta esse mesmo equilíbrio na sociedade. Não é possível andar bem vestida, bonita, elegante, sem a noção daquilo que somos. Há muito bom senso no clássico refrão: “diz-me como vestes e dir-te-ei como és”.

Não podemos ignorar os fins, a maior parte das vezes comerciais, mas também de outra espécie, que comandam a moda, e quem são os que a ditam. Quando dizemos, muito felizes: “este ano usa-se tal coisa”, não podemos esquecer que houve alguns senhores desenhistas que decidiram como é que a mulher se vai vestir na próxima estação, que zonas do corpo vai exibir de preferência, ou se vai mesmo andar nua ou quase.

Temos que ser conscientes, ser boas pessoas não chega, é preciso também parecer. Antes de comprar uma peça de roupa, sem deixarmos de ver se está na moda, devemos escolher aquilo que está de acordo com a nossa idade, tipo de trabalho, circunstâncias de vida, etc. É a mulher que tem de decidir o que quer usar, o que lhe fica bem, sem se deixar levar por modos de vestir com os quais, no fundo, não concorda.

Nem todos os desenhistas ignoram que vestem pessoas humanas, e o que isso implica de respeito pela sua dignidade. Como em todos os campos, há de tudo.

Ultimamente temos visto, não só nas passagens de modelos, mas também nas festas, nos vários encontros sociais, e até mesmo na rua, uma moda que desnuda a mulher mais do que a veste. Veja-se por exemplo, a tão desagradável exposição dos umbigos, que parece já aceite por toda a gente.

E assim anda a mulher, “livremente” manipulada, e ao mesmo tempo convencida dos direitos que tem sobre o seu corpo. Onde está a emancipação apregoada? O que se vê é um grande retrocesso: o caminho cada vez mais aberto para que a mulher seja considerada um objecto.

Prometi a mim mesma ser positiva ao escrever sobre a moda feminina do nosso tempo, e por isso tenho que dizer que também vejo mulheres que sabem vestir-se bem e andar à moda sem transigir com a dignidade e respeito por si próprias e pelos outros. Já há algumas, mas, no conjunto são poucas. A maioria das mulheres é escrava do que lhes dão para vestir, mesmo que tenham muito dinheiro e saibam procurar boas marcas.

Esquecem-se, é necessário repetir, que o comércio exige, por assim dizer, que a moda varie todos os anos, aliás, a bem dos profissionais ligados ao ramo da moda.

Mas aquelas mulheres que optam por modelos clássicos, andam sempre bem. E há muitas maneiras de recorrer a algum pormenor que tenha a novidade, que também faz parte da vida.




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