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Do acessório ao essencial

Todo o valor do ser humano reside exclusivamente em SER!

N/D
25 Ago 2004

Parar. Observar. E reflectir. É a minha proposta para todos aqueles que desejam viver conscientes daquilo que é essencial e daquilo que é acessório, isto é, SER e PARECER.
Se fossemos capazes de pensar que o dia de amanhã seria o nosso último dia de vida, o que mudaria em nós? Talvez não houvesse tempo de mudar quase nada, mas de certeza passaríamos em retrospectiva o filme da nossa vida e, quase aposto, todos teríamos algo a lamentar: por não ter feito ou por ter feito mal. Porque neste curto espaço de tempo seríamos confrontados, como nunca, com a nossa verdadeira natureza – SER.

Nós não somos o que parecemos ou o que os outros pensam que somos. Nós simplesmente somos. E isto é o essencial.

Quando se vive dependente e condicionado pelo que os outros pensam de nós, pode haver a tentação de acreditar que somos aquilo que os outros pensam que somos, correndo o risco de nos descentrarmos do verdadeiro EU e esquecer o essencial, que é SER. Por isso encontramos homens que, num delírio quase inconsciente, vivem em função dos outros, reflectindo-se como espelhos. E é assim que se esquecem de quem são…

Não é o TER ou o PARECER que distingue os seres humanos, mas sim o SER. E porque somos únicos, isto é o essencial.

A propósito, não resisto à tentação de citar um episódio que aconteceu com um grande filósofo indiano, que muito admiro, OSHO, e que o próprio descreve assim:

“Eu estava em Jaipur e uma manhã um homem veio ter comigo e disse-me:

– És divino.

Eu respondi:

– Tens razão!

Ele sentou-se e veio outro homem que não gostava de mim e disse:

– És quase diabólico.

Eu respondi:

– Tens razão!

O primeiro homem ficou um pouco preocupado. Disse:

– Que queres dizer? Disseste-me que eu tinha razão e também dizes a este homem que ele tem razão. Não podemos ter os dois razão.

Eu respondi-lhe:

– Não só os dois. Há milhões de pessoas que podem estar certas em relação a mim, porque o que quer que digam sobre mim, dizem sobre elas mesmas. Como podem elas conhecer-me? É impossível, ainda nem se conheceram a elas próprias. Tudo o que disserem é interpretação sua.

Então o homem disse:

– Então, quem és tu? Se a minha interpretação é que és divino e a dele é que és mau, então quem és?

Eu retorqui:

– Sou apenas eu. Não tenho qualquer interpretação sobre mim próprio e nem há necessidade disso. Estou simplesmente satisfeito por ser eu próprio, seja lá o que isso signifique. Estou feliz por ser eu”.

Este episódio ilustra com bastante clareza a reflexão que proponho, isto é, se em cada momento cada um tiver consciência de quem é, nunca ficará incomodado com o que os outros pensam ou dizem de si, com o que têm ou não têm, com o que fazem ou não fazem.

Tudo isto é acessório, exterior a cada um de nós, pura ilusão. Porque só cada um sabe quem é. Mas para sabê-lo há que ter a consciência permanente de que o acessório não somos nós. E porque o que somos é único, ninguém mais o pode ser ou saber a não ser nós próprios.

Todo o valor do ser humano reside exclusivamente em SER!




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