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A reacção impõe-se…

Os responsáveis pelo futuro do País e, consequentemente, da preparação de uma cuidada formação intelectual devem cuidar muito a sério de estudar o problema, de assumir as responsabilidades que lhes cabem

N/D
25 Ago 2004

Ao vermos a vida portuguesa no momento actual, sentimos que entre os valores que se olvidaram há-os que atingem o íntimo da vida nacional. Desde há muito que não se estuda ou, pelo menos, que se não lembra aos alunos das escolas os valores históricos de um povo de um País, que deu lição ao mundo. Nota-se um acentuado desinteresse pela História e a sua vivência no coração e na alma dos portugueses.

Quando há na Europa acontecimentos desportivos como tem acontecido, sobretudo com o futebol, os emigrantes portugueses acorrem e levam a bandeira nacional.

Acontece, no entanto, que no plano social e local, incluindo o do trabalho, nem sempre se registam fenómenos patrióticos. E, quando chega o Verão, e vêm à terra natal trazem maneiras de ser e de estar que já se não enquadram na velha tradição, que orgulhava os portugueses.

Preferem a exibição à vivência social, preferem exibir-se como emigrante e não como portugueses que regressam à sua terra para nela reviverem o que a sua terra lhes deu e lhes dá no plano da vida familiar ancestral e no convívio íntimo e comunicativo que viviam.

Alheiam-se, por vezes, das tradições e dos valores que existiram e, ainda existem, na sua terra.

Esta maneira de estar na vida tem-se reflectido gravemente no País.

Em entrevista feita pelo semanário “O Diabo” de 8 de Junho, do ano em curso, a José Hermano Saraiva, historiador, a pessoa que o entrevistou fez-lhe esta pergunta: “É preciso levantar a moral da nação?”. – “É – respondeu. O jornalista aproveitou a oportunidade para perguntar se a “independência está de alguma forma ameaçada”.

A resposta merece ser transcrita para melhor compreendermos o que José Hermano Saraiva diz e, sendo grave, deveria despeitar o cuidado dos Governantes da Nação. Eis a resposta: “Creio que há pessoas que pensam que ela está ameaçada e se resignem a isso. Vejo, por exemplo, com alarme, que deixou de se ensinar a história de Portugal aos portugueses. Pior: vejo pessoas envergonharem-se da História nacional, mas do que não conhecem – nunca um tão pequeno povo fez uma obra tão grande pelo entendimento entre todos os povos da Humanidade. Constato, tristemente, que em Portugal está na moda ser anti-patriota. O português culto deixou de ser patriota e pensa que o patriotismo é uma forma de paisanismo, rusticidade e sentimento rural”.

A resposta dada pelo Historiador é confirmada pelas realidades que atingem e ameaçam o ensino e consequentemente o futuro da Nação.

A história, infelizmente, não é estudada, e, também, por isso, não é respeitada, e os alunos prosseguem os seus cursos, alheios às realidades que foram, e são nobreza e grandeza de Portugal.

Impõe-se reagir. Como? O ensino escolar é fundamental, mas exige da parte dos professores, o cuidado sincero da preparação para a missão que lhe cabe cumprir.

Os responsáveis pelo futuro do País e, consequentemente, da preparação de uma cuidada formação intelectual devem cuidar muito a sério de estudar o problema, de assumir as responsabilidades que lhes cabem.

Já se fala em salvação nacional. Isto expressa uma realidade grave que embaraça a vida portuguesa. José Hermano Saraiva na entrevista a que já nos referimos dá a resposta. Disse: “Antes de mais é preciso alertar contra um certo pessimismo latente – por vezes escandaloso -, mesmo ao nível de altos dirigentes, que constantemente passam a ideia de epílogo e sugerem a aceitação de soluções que não são portuguesas”.




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