Fotografia:
Não passou de um sonho

Presenciando o lindo colorido das inúmeras bandeiras do nosso país, embelezando a maioria do prédios portugueses, símbolo da unidade nacional que há muitos anos se não via, constatei que o meu pessimismo quanto a tudo que envolveu o Euro 2004, não tinha qualquer fundamento.

N/D
22 Ago 2004

Porventura, até se justificou o número dez de estádios a construir e a beneficiar. Quiçá, os cinco estádios que, diziam, seriam suficientes para levar a efeito o grande evento, não passassem de palavras de más línguas, as quais, como eu, vêem oportunismo em tudo, quando o que se vê é um altruísmo digno de registo para umas tantas comendas a atribuir a 10 de Julho. Ou, em alternativa, uns tantos honoris causa. Os maldizentes, têm dito que não se conhece a causa de tantos honoris. Se assim é, pelo menos, tinha a vantagem de saber.
Foi repetida até à exaustão, a frase, para mim enigmática, que a realização do Euro-2004 em Portugal era um desígnio nacional. Pobre de mim, que tive um lento alcance para aquilatar que, efectivamente, por tudo que nos foi dado a presenciar, foi mesmo um desígnio nacional. De tal forma foi tudo tão esplendoroso, que as bandeiras ainda são agitadas pelo vento. Dizem que, se resistirem, ficarão até à realização do mundial de futebol. Bonito gesto sem dúvida. E eu, céptico, nada disto era capaz de ver….

O que é belo, porém, nem sempre dura. Há dias, a malfadada TV despertou-me do sonho que estava a viver. As imagens divulgadas, de Campo de Ourique, de um prédio degradado a desmoronar-se como um baralho de cartas fizeram que eu regressasse ao país real. Quis a Providência que a sorte estivesse do lado das muitas centenas que nele habitavam. Felizmente, nem um só ser humano estava lá dentro.

Segundo palavras textuais de Carmona Rodrigues, actual presidente do município da capital, há em Lisboa centenas de prédios em iguais circunstâncias, que podem ruir a qualquer momento. E pensava eu que o desígnio nacional, entre muitas outras carências de ordem social, era acabar com a vergonha dos prédios muito degradados que existem na capital portuguesa!




Notícias relacionadas


Scroll Up