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Actividade empresarial como serviço à comunidade

O mundo tem de dar aos homens oportunidades e uma delas é a dedicação à actividade empresarial, sem descurar a solidariedade

N/D
21 Ago 2004

Falar em serviço à comunida- de faz-nos pensar logo no
voluntariado nos diferentes campos, mas tal não é só isso, mas abrange um campo mais vasto.
Um serviço à sociedade não tem de ser necessariamente gratuito. É um serviço à sociedade o que prestam os médicos e enfermeiros, ainda que os seus honorários sejam, por vezes, bem altos; também o é o serviço dos professores que não tratam do corpo, mas da mente (abro um parêntesis para ressalvar a comparação dos honorários…).
Pensando bem, qualquer actividade, é afinal, um serviço à sociedade, uma vez que precisamos uns dos outros: os governantes ou gestores precisam de assessores; todos precisamos do padeiro, do sapateiro, da empregada doméstica, do canalizador, etc. ; estes, por sua vez, precisam de quem lhes dê trabalho e assim se estabelece, na sociedade, uma corrente cíclica.
Eu queria, porém, referir-me a uma actividade que: foi, deixou de ser e agora volta a ser vista com bons olhos, apesar de ter passado por temporadas más que nos conduziram a crises cuja factura estamos ainda a pagar e …com que juros! Refiro-me à actividade empresarial. Nem mais
O economista americano Michael Novak, afirma que é muito importante a ética da economia do mercado e da empresa. Criar uma empresa é algo muito complexo, mas fascinante. É preciso ter inteligência, a par de conhecimentos técnicos, para descobrir as necessidades do meio envolvente; arranjar sensatamente os meios económicos para enfrentar essas necessidades; descobrir os homens capazes de trabalhar a matéria prima, saber rentabilizá-la, comercializando-a com lucro, que é sinal de bom senso, quando muitos por extrapolação, conotam o lucro com a corrupção. Felizmente que ainda há quem saiba ganhar dinheiro honestamente, se bem que as “luvas” estejam na ordem do dia.
Todo aquele que quiser ser empresário deve interrogar-se para saber se tem qualidades de chefe. Não basta ser astuto e prudente, tem que ter qualidades humanas que façam da empresa uma comunidade de pessoas empenhadas no mesmo objectivo, e não uma comunidade de dinheiro e técnica. Devem saber humanizar a empresa – só assim terão sucesso. Deste modo o empregado não vê no empregador um explorador e este sabe respeitar aqueles que em vez de empregados deve chamar colaboradores. É obvio que o colaborador deve ser leal e tratar os negócios da empresa como se fossem próprios; de certo modo são pois deles tira o necessário para o seu sustento e o da sua família.
O mundo tem de dar aos homens oportunidades e uma delas é a dedicação à actividade empresarial, sem descurar a solidariedade. O mundo do trabalho jamais deixará de ser competitivo, e mal irá quando deixar de o ser, só que o gosto de subir na vida não pode ser satisfeito à custa da exploração do próximo e neste caso, dos mais próximos – os colaboradores.
Estamos a assistir actualmente a um fenómeno que me assusta, e a que eu chamo «infantilismo empresarial». Os empresários a que me refiro parecem crianças que recorrem «aos grandes» quando não podem apertar os sapatos ou quando um brinquedo se estraga.

Chove? – o Governo deve subsidiar os prejuízos das inundações; não chove? – o Governo deve subsidiar os prejuízos da seca; o gado adoece e é preciso abatê-lo? – o Governo deve pagar um tanto por cada animal abatido; a geada queima as culturas? – o Governo deve dar um subsídio para minorar os prejuízos, etc.

Será que um empresário digno desse nome não deve saber tomar precauções contra eventuais desastres, recorrendo a seguros apropriados, como faz qualquer cidadão. Se a minha casa for inundada ou devorada por um incêndio, eu não vou pedir um subsídio ao Governo, mas procurei ter o cuidado de ter os bens no seguro.

Já vislumbram agora para onde vão muitos dos nossos impostos? Os dinheiros comunitários somem-se como água em terra seca. É certo que muito desse dinheiro foi investido em infra-estruturas de que estávamos altamente precisados, mas mesmo assim, os impostos que oneram os rendimentos de trabalho são exagerados, porque o Governo tem de fazer face a situações de que não é directamente responsável.

Nunca como agora se ouviu falar tanto de crises: é na agricultura, no comércio, na indústria, no ensino, no desporto, na saúde, etc. que eu atrevo-me a sugerir ao Senhor Primeiro Ministro que, na próxima remodelação governamental, crie o Ministério das Crises!




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