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O país real

Quem conhecer Portugal apenas pela televisão, fica com a impressão de que em Portugal nada de alegre e positivo se passa

N/D
20 Ago 2004

Muito se tem dito e escrito sobre o país real e o país fictício, criado pela Comunicação Social e pelos políticos.
Apesar da pequenez da nação, não é difícil encontrar, quer nas páginas dos jornais, quer nos ecrãs televisivos, imagens diversificadas da nação a que todos pertencemos.

A televisão vê e pinta o país, com a cor do desastre e a tonalidade do escândalo; os políticos olham o país, em fila indiana, a caminho do voto; o homem citadino concebe a província na verdura dum primitivismo rupestre.

Quem conhecer o país, apenas pelas televisões, fica com a ideia de que o povo português é um povo triste e apático, quando todos sabemos que esta visão não corresponde à verdade.

O povo português, apesar das vicissitudes que o não tem poupado, é um povo folgazão que gosta da romaria, onde vai beber a malguinha da praxe e dar a voltinha do vira; é um povo que, se vai à feira negociar, não deixa também de lá se divertir.

Só assim se explica que cada vila tenha a sua feira semanal ou quinzenal e que sejam às centenas as romarias de Verão em terras do Minho.

Contudo, quem conhecer Portugal apenas pela televisão, fica com a impressão de que em Portugal nada de alegre e positivo se passa.

É certo que, por cá, também há escândalos e desastres.

Todavia, não se pode negar a seriedade e a compostura moral da maioria da população e não se pode pôr em dúvida o progresso social e cultural do povo.

– Nestas férias, tive a oportunidade de comparar as normas comportamentais do português aqui residente, com o emigrante que, há anos, não vinha a Portugal.

Pois, a diferença é pronun-ciada a favor do aqui residente, que evoluiu cultural e socialmente muito mais do que o que regressa.

– Notam-se também, a olho nu, as diferenças entre o Portugal dos políticos e o país real, onde a soberania popular se devia impor.

Contudo, um observador atento enxerga que há, em vários campos, uma resistência sistemática do poder corporativo ao poder do sufrágio popular.

São constantes as lutas, entre as ideias e as atitudes do governo eleito pelo povo e as posições das minorias políticas e frentes sindicais.

E não foram poucas as vezes, em que as opções sufragadas popularmente tiveram de ceder às exigências corporativas de grupo. Foi a «rua» de poucos a substituir a «urna» de muitos.

Só um cego não vê que os agentes políticos de algumas corporações tudo fazem para atrasar e impedir o labor governativo, sufragado pela soberania popular.

Como o poder político que lhes é afecto é minoritário, resulta que as minorias, desta forma, se sobrepõem às maiorias eleitorais.

Ora isto, em termos democráticos, é uma aberração.




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