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Chover no Molhado (41)

Cabe, à pessoa, com base na sua dignidade, filha do seu Ser Profundo, Real e Concreto, sacrário do Amor de Deus, ordenar à Razão que lhe dê razões verdadeiras com tudo o mais que com isto se conecta

N/D
19 Ago 2004

Toda a nossa educação, refiro-me sobretudo à nossa Educação Académica, com suas raízes mergulhadas na Idade das Luzes, está profundamente eivada de racionalidade e tanta quanto possível, pura.
Um dos objectivos exposto aí com toda a clareza, é desembaraçar-se não só da mentalidade teológica e religiosa, mas também de toda a autoridade da Igreja e de toda a força emocional e sentimental que através da pessoa, como a melhor saída para a construção da Ciência e crescimento do progresso. Para tal, propõe-se obediência e fé na Razão pura do homem com autoridade suprema.

Deixai-me descortinar, nesta proposta tão categórica “A razão do Homem como autoridade Suprema” a saída para uma das maiores crises de todos os tempos que tem assolado o pensamento. Creio mesmo que o pensamento sempre esteve afectado com este vírus, provocador da sua crise.

Mas será a Razão do homem o vírus provocador da crise do pensamento? É e não é.

Comecemos pela Razão do Homem, como autoridade suprema do pensamento.

Se tomarmos a Razão pura do Homem, como autoridade suprema do pensamento, sou tentado a afirmar que é um vírus provocador da crise do pensamento. A Razão, como todas as suas razões, não é o pensamento global, mas sim uma das suas formas. É o pensamento racional, cujas funções, entre elas o entendimendo, nós muito bem conhecemos.

O pensamento global parece não se ofender se dissermos que é uma das formas dinâmicas e imanentes do Espírito que mora em mim. E este é o meu Ser profundo, concreto e real. E a minha pessoa transborda, claramente para o exterior, através dos seus relacionamentos com a realidade total. E um dos seus instrumentos é a capacidade de razoar. Daqui concluo que a autoridade suprema de todo e qualquer pensamento é a pessoa e não a Razão.

Quero com isto dizer que é a pessoa que domina, controla e orienta a Razão e não o contrário. Mas se é, como acontece muitas vezes, a Razão, com as suas razões puras, a estender o seu domínio, o seu controlo, a sua orientação sobre a pessoa, torna-se então num dos vírus corruptores do pensamento, agora em crise. Acontece, pois, trazer ao pensamento o que não deve trazer e rejeitar, o que devia trazer e aceitar.

Cabe, então, à pessoa, com base na sua dignidade, filha do seu Ser Profundo, Real e Concreto, sacrário do Amor de Deus, ordenar à Razão que lhe dê razões verdadeiras com tudo o mais que com isto se conecta. A partir daqui, a Razão do homem, não sendo autoridade, e sem perder o seu prestígio, também não é o prestígio, também não é desprestígio, também é o desprestegioso vírus causador da crise do pensamento.

A razão é viríl e como tal se deve comportar na edificação do pensamento global, tronco de emergem a pluridade e a diversidade das variadas formas do pensamento.

(Continua)




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