Fotografia:
Apontamentos de férias

Continuamos a ver desaparecer nas nossas estradas um elevado capital de vidas sem retorno

N/D
17 Ago 2004

Agosto é o mês de férias por excelência, sobretudo porque a maioria das famílias está condicionada a gozá-las neste tempo. Apesar de algumas campanhas apelarem para que este período de lazer seja repartido, a verdade é que diversas razões deixam grande parte das pessoas sem alternativa.
O calendário escolar, que em muitos casos se prolonga até finais de Julho, é o principal responsável e leva a que muitos pais, alunos e professores vejam restringida a opção unicamente ao oitavo mês do ano, com todos os inconvenientes que uma grande concentração acaba por fazer.

Uma maior flexibilidade nesta escolha traria benefícios a toda a gente. Desde logo desanuviando o trânsito com benéficas consequências na sinistralidade e permitindo mais mobilidade, com menor afluência nos principais destinos, elevaria por certo a qualidade que em múltiplos casos deixa a desejar.

No que diz respeito à segurança e à onda de acidentes rodoviários que nos envergonha, mais do que impor limites de velocidade, ou alterar as leis do código da estrada, torna-se necessário investir em campanhas que façam aumentar o civismo dos portugueses em geral.

Continuamos a ver desaparecer nas nossas estradas um elevado capital de vidas sem retorno, ou pior do que isso, deixá-las à porta de esperanças para sempre perdidas. É um enorme potencial que o país vê desaparecer diariamente, sem que os esforços que as autoridades competentes vêm fazendo dêem os resultados almejados.

Assim, impõe-se mudar de estratégia e se necessário promover medidas radicais que ponham termo a este drama nacional. Outros povos, por ventura menos cordatos que o nosso, conseguiram-no. Há que encontrar os caminhos para, de uma vez por todas, inverter este cenário de autêntica calamidade que atinge o seu auge nos meses de Verão e, duma forma violenta, contribui para empobrecer o país comprometendo o seu futuro.

Em relação à qualidade oferecida nos destinos de férias mais procurados e de que o Algarve é paradigma nesta época estival, continuamos a assistir ao desbaratar de oportunidades vendo servir “gato por lebre”, enganando incautos e cobrando preços para além do razoável.

Juntando a isto o pouco asseio de praias, ruas e avenidas, em que a limpeza é reservada a zonas mais ou menos privilegiadas, não podemos estranhar que ano após ano venhamos a perder visitantes e a ouvir os lamentos dos operadores turísticos.

Urge disciplinar este sector estratégico. Acreditamos que com a autonomização do Ministério do Turismo isso venha a acontecer e seja dada a importância devida a esta área crucial da economia nacional. Assim o queiram todos os agentes envolvidos.




Notícias relacionadas


Scroll Up