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Os pais-avestruz

Os pais-avestruz são perigosos. Muito. O Pais a quem também podemos chamar”pais-filhos-de-outros”

N/D
16 Ago 2004

Todos conhecem a ideia muito divulgada da avestruz metendo a cabeça na areia com a aproximação do perigo. Isso mesmo!

Os pais-avestruz podem, também, ser definidos como os pais que nunca vêm os seus filhos, mas só os filhos dos outros.

Os pais-avestruz são tantos!… Cruzam-se connosco no trabalho, na escola, na fábrica, na rua, no nosso prédio… em todo o lado. São a maioria. MAIORIA!

Exagero? De modo algum. Quando se fala de droga aos pais, a resposta é sempre a mesma: “Os filhos dos outros. Sim! Os meus, não! Não vê que…” e anunciam todas as virtudes do seu lar. As reais e as imaginárias. São modelos de virtude até ao dia em que descobrem que, afinal, não tinha sido descoberta a vacina para a droga.

Não viram, porque NÃO QUISERAM, a aproximação do perigo. E o cerco que estavam fazendo aos filhos: na escola, na rua, na discoteca… escapa-lhes. Se o perigo era para os outros pais!…

E quem diz droga, diz outras dependências: do vídeo (de tudo e em grandes quantidades!), da televisão (tudo e a todas as horas!), da discoteca (de tarde e à noite, todas as semanas!), da cerveja e de outras bebidas alcoólicas (muito e muitas vezes), etc, etc…

Longe, bem longe, de verem a aproximação dos perigos – reais! – os pais preferem ignorar essa realidade. Se até sabem tudo!… Sobretudo, da vida dos filhos dos seus amigos.

Destes sabem tudo e divulgam-no com certo prazer e a todos os ventos: que chegam tarde a casa, que andam mal acompanhados, que gastam muito dinheiro, que têm uma moto de não sei quanto de cilindrada mas que já têm a promessa de um carro, que…, que… Desfiam o rosário de todas as misérias, falhas e perigos. Até os ampliam e dão-lhes um colorido digno das cantigas de escárnio e maldizer.

Os pais-avestruz são perigosos. Muito. Os pais a quem também podemos chamar “pais-filhos-de-outros”. Radicais na crítica e nas soluções. É vê-los “desancar” nos pais que, talvez não tendo sido pais-avestruz, têm filhos com problemas. É ouvi-los defender “prisões perpétuas”, “internamentos compulsivos”, “trabalhos forçados” e até a “pena de morte” para esses “degenerados”. Falam, evidentemente, dos filhos dos outros.

Até ao dia em que se calam e buscam as soluções, a todo o custo, no país e no estrangeiro, abafando o escândalo de terem, eles, os tais pais-avestruz, filhos drogados, prostituídos, que recorrem ao aborto, destroçados moral e biologicamente falando.

Os pais-avestruz são individualistas e são-no porque se consideram sábios e imunizados contra os flagelos sociais. Não participam nem permitem que se participe em acções de formação que os poderiam ajudar a tirar a cabeça da areia.
Dos pais-avestruz, livrai-nos, Senhor!




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