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Nossa Senhora da Assunção

Celebra-se amanhã em toda a Igreja a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, conhecida popularmente como Nossa Senhora de Agosto.

N/D
14 Ago 2004

A Igreja, desde os primeiros séculos (V-VI) professou a fé na Assunção de Maria Santíssima, em corpo e alma, ao Céu, como se pode ver, quer nos textos litúrgicos, quer nos documentos piedosos, quer nos escritos dos Doutores.
Esta fé de tantos séculos e universal foi confirmada pelo Episcopado nas respostas à Carta Apostólica de 1.05.1946 (das 1191 respostas, 1169 – 98,2 % – foram afirmativas e apenas houve 22 – 1,8 % – que manifestaram alguma dúvida sobre a oportunidade ou a conveniência da definição dogmática) o que veio aduzir razões para que o Santo Padre Pio XII declarasse como Dogma de Fé a Assunção de Nossa Senhora a 1.11.1950, Dia de Todos os Santos.

A Assunção de Nossa Senhora ao Céu, em corpo e alma, é garantia de que também o nosso corpo ressuscitará e que o homem triunfará da morte.

Não consta com exactidão a altura da passagem de Maria deste mundo para o Céu. Se pensarmos nos sofrimentos que teve de suportar, por ocasião da morte de Jesus, seríamos levados a afirmar que Maria durou pouco depois da morte do seu Filho, pois a sabedoria popular costuma dizer: “eles (os sofrimentos) não matam, mas aleijam”.

O amor de Maria por Jesus crescia sem parar depois da Sua Ascensão ao Céu. “Esse amor inflamava-a em ânsias de ver o seu Filho. Ela que noutro tempo tinha, como ninguém, suspirado pelo Redentor, como ninguém suspirava agora por se reunir no Céu com Ele. (…) E como antes se unira a Ela, como Filho do Homem, tendo morado corporalmente em seu seio, não era congruente que Ela, como os outros mortais, houvesse de esperar até ao dia do juízo a ressurreição do corpo. Antes, logo a seguir à sua morte, convinha fosse recebida no Céu em corpo e alma” (Maria, Mãe de Jesus de F. Willam).

Todos os privilégios de Maria têm relação com a sua Maternidade e, portanto, com a nossa redenção. Maria, elevada ao Céu, é imagem e antecipação da Igreja que se encontra a peregrinar nesta terra. Para nós, a Solenidade da Assunção de Maria é uma continuação da Páscoa, da Ressurreição e da Ascensão de Jesus e deve encher-nos de confiança nos nossos pedidos. “Subiu ao Céu a nossa Advogada, para que, como Mãe do Juiz e Mãe de Misericórdia, tratasse dos negócios da nossa salvação”( S. Bernardo).

“Repousa a crença na Assunção em algum dado de facto? Não se pode defender a lenda popular e tardia, segundo a qual os Apóstolos teriam assistido à morte da Virgem, teriam encontrado o seu túmulo vazio, teriam visto o seu corpo levado pelos anjos. (…) Pode a Assunção deduzir-se da ideia da maternidade divina, raciocinando assim: se a Virgem é mãe de Cristo-Deus, este, uma vez glorificado no seu corpo, não pôde deixar de glorificar misteriosamente o corpo de Sua Mãe, de onde, sem partilha tirara o seu. O Legislador, que fez do respeito devido aos pais uma das condições da salvação eterna, não teria podido deixar o corpo de Sua Mãe entregue à decomposição. Pode inferir-se o mesmo privilégio a partir da Imaculada Conceição, esclarecendo o fim com o princípio. Se a Virgem foi posta desde a sua Conceição numa situação análoga e superior à da humanidade adâmica antes do pecado, cujo fruto amargo foi a morte na sua forma dissociadora, deve ter sido subtraída à «corrupção do pecado»” (A Virgem Maria de Jean Guitton).

A Assunção de Maria enche-nos de alegria anima-nos no caminho que ainda temos de percorrer; dá-nos ânimo para chegar à santidade a que fomos chamados e dá-nos a certeza que vale a pena lutar para afastar de nós tudo o que nos afasta de Deus.




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