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À volta do tempo…

Sucedem-se os incêndios ano após ano, os governantes dizem tomar medidas e depois a floresta volta a arder e meios não chegam para acudir ao drama.

N/D
14 Ago 2004

«Já em 1972 a comunicação social falava que, chegando o Verão, os grandes calores tornam as matas e os pinhais inflamáveis como estopa; é certo e sabido que começam pelo país fora os incêndios. Nesse tempo levantam-se inúmeras vozes a pedir protecção para o património florestal, já de si tão escasso. A vulnerabilidade das nossas matas, se bem pensarmos nela, é, a toda a hora, um convite à ruína total. Depois do tempo refrescar, vem a chuva, adia-se a catástrofe para o ano».
Mais de trinta anos depois, são poucas as diferenças: o país arde enquanto se fala em prevenção e meios necessários para o combate aos incêndios.

Se a árvore cai para dar lugar ao cimento, são as leis do progresso. Um país em mudança sente a crise do mundo rural português, a nossa agricultura não parece em condições de competir. O nosso progresso não seguiu o ritmo europeu. Possivelmente a questão rural é, à escala europeia, uma questão de civilização. O corte de árvores e a limpeza do pinhal e mata são outro problema.

É, pois, com tristeza que em 2004 vejo a repetição assustadora de incêndios, acompanhada dos lamentos dos Bombeiros, que por vezes desabafam e dizem o que sentem, porque não conseguem deter a destruição – e pedem mais apoio no combate aos incêndios. O povo ocorre sem procurar saber a quem pertencem as árvores que as chamas vão furiosamente destruindo. São actos de coragem praticados com total desinteresse, pois ninguém procura apresentar factura ou receber condecoração.

Convenhamos: é difícil a vida de bombeiro em tempos de incên-dios, sendo preferível a sua presença em festejos, sem fogo, onde as fardas, capacetes, viseiras e machadinhas criam um cenário bonito aos olhos do cidadão.

Depois do país estar em chamas, surge sempre a pergunta: Fogo posto? Quem tem culpa? Tudo passa e os pinhais lá dão lugar a eucaliptos de crescimento rápido que, se calhar, até ardem melhor… Em tempo recente era assim.

Mas o tempo passa e o governo sempre promete tomar medidas!

Afinal, o que se passa? Como se explica o aumento de incêndios em Portugal? Sempre tivemos Verão e só nas últimas décadas os incêndios surgem com tanta intensidade. Precisamos pôr termo à desgraça. Alguém sabe como?




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