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A Caridade de Cristo para com os migrantes (4)

Na comunidade cristã nascida de Pentecostes, as migrações fazem parte integrante da vida da Igreja, expressam bem a sua universalidade, favorecem a comunhão e influenciam o seu crescimento

N/D
13 Ago 2004

Universalidade da Missão – Semina Verbi (as sementes do Verbo)
As migrações hodiernas constituem o maior movimento de pessoas e de povos de todos os tempos. Isso leva-nos a encontrar homens e mulheres, nossos irmãos e irmãs, que por motivos económicos, culturais, políticos ou religiosos abandonam, ou são obrigados a abandonar, as suas casas. […] Por isso, o migrante está sedento de “gestos” que o façam sentir-se acolhido, reconhecido e valorizado como pessoa. Até mesmo uma simples saudação é um destes gestos.

Em resposta a esta aspiração, os consagrados e as consagradas, as comunidades, os movimentos eclesiais e as associações de leigos, e também os agentes de pastoral, devem sentir-se empenhados em educar os cristãos para o acolhimento, para solidariedade e para abertura aos estrangeiros, a fim de que as migrações se tornem uma realidade sempre mais “significativa” para a Igreja, e os fiéis possam descobrir os “Semina Verbi” [as sementes do Verbo] presentes nas diversas culturas e religiões.

Na comunidade cristã nascida de Pentecostes, as migrações fazem parte integrante da vida da Igreja, expressam bem a sua universalidade, favorecem a comunhão e influenciam o seu crescimento. Portanto, as migrações oferecem à Igreja a ocasião histórica de uma verificação das suas conhecidas características. […]

De facto, agora aparece claramente que não é só a distância geográfica que determina a missionariedade, mas também a situação cultural e religiosa do estrangeiro que vive connosco. Portanto, “missão” é ir ao encontro de cada homem para anunciar-lhe Jesus Cristo e, n’Ele e na Igreja, colocá-lo em comunhão com toda a humanidade.

Agentes de comunhão

Superada a fase de emergência e de adaptação dos migrantes no país de acolhimento, o capelão/missionário tratará de alargar o seu próprio horizonte, para tornar-se “diácono de comunhão”. Com o seu “ser estrangeiro” será uma lembrança viva para a Igreja local da sua característica catolicidade […]

A este propósito, também todos os fiéis leigos, embora sem funções ou deveres particulares, são chamados a empreender um itinerário de comunhão que implique, sem dúvida, aceitação das legítimas diversidades. De facto, a defesa dos valores cristãos passa, evidentemente, também através da não discriminação dos imigrantes, sobretudo graças a uma vigorosa recuperação espiritual dos fiéis. O diálogo fraterno e o respeito recíproco, o testemunho vivido de amor e de acolhimento, constituirão em si mesmos a primeira e indispensável forma de evangelização.

Pastoral dialogante e missionária

As Igrejas particulares são, portanto, chamadas a abrir-se, justamente por causa do Evangelho, a um melhor acolhimento dos migrantes, também com iniciativas pastorais de encontro e de diálogo, mas, sobretudo, ajudando os fiéis a superar preconceitos e prevenções. […]

Diante do vasto movimento de pessoas em caminho, e do fenómeno da mobilidade humana, considerada por alguns como o novo “credo” do homem contemporâneo, a fé recorda-nos que somos todos peregrinos rumo à Pátria Celeste. […]

O “estrangeiro” é o mensageiro de Deus que surpreende e rompe a regularidade e a lógica da vida quotidiana, trazendo para perto quem está longe. A Igreja vê nos “estrangeiros” Cristo que “coloca a sua tenda no meio de nós” (cfr. Jo 1,14) e que “bate à nossa porta” (cfr. Ap 3,20). Este encontro – feito de atenção, acolhimento, partilha e solidariedade, de defesa dos direitos dos migrantes e de compromisso evangelizador – revela a constante solicitude da Igreja que descobre neles autênticos valores e os considera um grande recurso humano. […]

Os migrantes podem ser os construtores, escondidos e providenciais, da fraternidade universal, junto a muitos outros irmãos e irmãs. Esses oferecem à Igreja a oportunidade de realizar concretamente a sua identidade de comunhão e a sua vocação missionária. […]

A Virgem Mãe que, junto ao seu Bendito Filho, experimentou a dor intimamente radicada na emigração e no exílio, nos ajude a compreender a experiência, e muitas vezes o drama, daqueles que são obrigados a viver distantes da sua Pátria e nos ensine a colocarmo-nos ao serviço das suas necessidades, num acolhimento verdadeiramente fraterno, a fim de que as hodiernas migrações sejam consideradas um apelo, embora misterioso, ao Reino de Deus já presente como primícia na sua Igreja e instrumento providencial ao serviço da unidade da família humana e da paz.




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