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Barcelos não merecia tanta obscenidade!

Barcelos merece melhor e com mais qualidade… quando tiver de aparecer na televisão

N/D
11 Ago 2004

Quem estava em casa no serão de domingo passado (8 de Agosto) terá ficado com alguma curiosidade sobre um programa a transmitir de Barcelos na TVI. Da minha parte – confesso a fraqueza – deu-me na vista por ser de uma cidade próxima à minha terra natal. Que isto de ver ao longe faz ganhar algum bairrismo, mesmo que se procure não exagerar!
Intitulado «paródia em Barcelos» desenrolou-se tendo como pano de fundo a Igreja do Senhor da Cruz: um palco amplo, muito público (com bastantes jovens e crianças) e um ‘concurso de anedotas’.

Não segui nem mais ou menos todo o programa por três simples razões: o adiantado da hora (começou por volta das vinte e três e trinta acabou mais de duas horas depois), a temática (tanta anedota recauchutada e sem grande novidade) e o conteúdo da conversa. É sobre esta última razão que me vou debruçar.

Os concorrentes – provenientes de várias regiões do país – primavam pela linguagem o mais ordinária possível, dando uma certa auréola de bom comportamento a outros programas noutro canal! As referências à vertente sexual das pessoas eram as mais obscenas que se podia imaginar. A preferência por clichés desviantes era a mais ostensiva, tanto nas palavras como nos gestos e nas insinuações.

As tentativas de fazer rir nem sempre foram conseguidas, pois nalguns casos os risos estavam congelados e apáticos. A variedade do público – repito: muitas crianças acordadas àquela hora da noite só se fosse para aparecerem na televisão – denunciava uma razoável difusão do programa e uma adesão bastante bem conseguida à mistura com a linguagem ambígua dos intervenientes. Os palavrões (regionais, com sotaque ou em calão) eram em catadupa, nunca quase consertada escolha de quanto pior melhor.

Dizia-me, há dias, um produtor independente (isto é, sem ligação conhecida!) que as televisões generalistas em canal aberto tendem a nivelar o público e os conteúdos pelo mais baixo possível. Foi isso que vimos em Barcelos. Não havia necessidade daquela obscenidade toda nem de tão pacóvia exploração da atitude do público. As pessoas e os seus comportamentos não precisam de tanta exposição ridicularizada e com termos tão soezes!

A TVI talvez venha a pagar muito caro – isto é, ficando sem clientela – estas aventuras populistas. As agências de publicidade saberão tirar lições. Como diz o povo e com razão: ‘quanto maior for o salto, pior será o trambolhão’. Barcelos merece melhor e com mais qualidade… quando tiver de aparecer na televisão.




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