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A Caridade de Cristo para com os migrantes (2)

Os estrangeiros são sinal visível e proclamação eficaz daquele universalismo que é um elemento constitutivo da Igreja católica

N/D
11 Ago 2004

12. A Igreja contemplou nos migrantes a imagem de Cristo: «Era estrangeiro e acolhestes-me» (Mt 25,35). A Sua itinerância é uma provocação à Fé e ao Amor dos cristãos. […]
13. Esta visão leva-nos a comparar as migrações com aqueles eventos bíblicos que determinam as etapas do fatigante caminho da humanidade rumo ao nascimento de um Povo. […]

Migrações e História da Salvação

14. Podemos considerar, portanto, o fenómeno migratório como um importante “sinal dos tempos”. […] A Sagrada Escritura propõe-nos o sentido de tudo. Com efeito, Israel tem a sua origem em Abraão que, obediente à voz de Deus, saiu da sua terra e foi para um país estrangeiro (Gn 12,1-2). […] Israel recebeu a solene investidura de “Povo de Deus”, depois da longa escravidão no Egipto, durante os quarenta anos de “êxodo” através do deserto. A dura prova das migrações e deportações foi fundamental na história do Povo eleito, tendo em vista a salvação de todos os povos (cfr. Is 42, 6-7; 49,5).

15. O cristão contempla no estrangeiro, não só o próximo, mas o próprio rosto de Cristo, que nasce numa manjedoura e, estrangeiro, foge para o Egipto, assumindo e recapitulando em si esta experiência fundamental do seu Povo (cfr. Mt 2,13ss).

«Habitou no meio de nós» (cfr. Jo 1, 11.14) e, na sua vida pública, percorreu «cidades e vilas» (cfr. Lc 13,22; Mt 9,35). Os cristãos são chamados, portanto, ao seguimento de um viajante «que não tem onde repousar a cabeça» (Mt 8,20; Lc 9,58).

A Igreja de Pentecostes

16. Contemplando agora a Igreja, vemos que ela nasce do Pentecostes, cumprimento do Mistério Pascal e evento eficaz, também simbólico, do encontro dos povos. «Aí não há mais grego e judeu, circunciso e incircunciso, bárbaro, xiita, escravo, livre» (Col 3,11). Cristo constituiu «uma unidade, destruindo o muro da separação» (Ef 2,14).

[…] Na Igreja primitiva, a hospitalidade foi a prática com a qual os cristãos responderam também às exigências dos missionários itinerantes, chefes religiosos exilados ou de passagem, e pessoas pobres das várias comunidades.

17. Os estrangeiros são sinal visível e proclamação eficaz daquele universalismo que é um elemento constitutivo da Igreja católica. […] Jesus profetizou: «Virão do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul e sentar-se-ão à mesa no reino de Deus» (Lc 13,29). […]

18. Assim, o caminho dos migrantes pode tornar-se sinal vivo de uma vocação eterna, impulso contínuo àquela esperança que, apontando um futuro, além do mundo presente, solicita deste a transformação na caridade e o cumprimento escatológico. […]

A solicitude da Igreja pelo migrante e o refugiado

[…]
21. O Concílio Vaticano II elaborou importantes linhas orientadoras sobre a pastoral dos migrantes, e convidou os cristãos a conhecer o fenómeno migratório. […]

22. […] O acolhimento do estrangeiro que caracteriza a Igreja primitiva permanece, no entanto, como a marca perene da Igreja de Deus. […] O acolhimento do estrangeiro é inerente, portanto, à própria natureza da Igreja e testemunha a sua fidelidade ao Evangelho.[…]

A Normativa Canónica

24. O novo Código de Direito Canónico prevê, fiel ao espírito conciliar, a instituição de outras estruturas pastorais específicas, previstas na legislação e na praxis da Igreja.
[…]

As linhas pastorais do Magistério

27. Dos documentos e das disposições emanadas até agora pela Igreja sobre o fenómeno migratório há a salientar algumas importantes aquisições teologais e pastorais, tais como: a centralidade da Pessoa e a defesa dos direitos do homem e da mulher migrante e dos seus filhos; a dimensão eclesial e missionária das migrações; e a revalorização do apostolado dos Leigos. […]

29. As últimas intervenções pontifícias têm confirmado e ampliado os horizontes e as perspectivas pastorais relacionadas com o fenómeno migratório, na linha em que o Homem é a via da Igreja. […] Insiste-se sobre os direitos fundamentais da Pessoa, em particular ao direito de emigrar. […]

30. O Magistério tem insistido na necessidade de uma política que evite «cuidadosamente as possíveis discriminações», salientando uma vasta gama de valores e comportamentos (hospitalidade, solidariedade, partilha). […] Porém a abertura às diversas identidades culturais não significa aceitá-las todas, indiscriminadamente, mas respeitá-las.

Os Organismos da Santa Sé

31. […] Em 1988 foi confiado ao Conselho Pontifício da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes o cuidado daqueles que «foram obrigados a abandonar a própria pátria ou que não a têm de facto». […]

32. O Conselho Pontifício tem, portanto, o dever de suscitar, promover e animar as oportunas iniciativas pastorais a favor daqueles que, por própria escolha ou por necessidade, deixam o seu lugar de residência habitual. […]




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