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Estatísticas britânicas sobre a educação sexual

O ser humano, que tantas preocupações ecológicas demonstra em relação aos outros seres, parece não ter capacidade ecológica sobre a sua vida sexual – por não se lhe aplicar neste aspecto concreto normas tão redutoras ou limitativas?

N/D
10 Ago 2004

A linguagem das estatísticas, curiosamente, só convence os convencidos. Mas não faz render como uma evidência, ou, se se preferir, através do dito, “contra factos não há argumentos”, quem vive da crença contrária aos dados que elas revelam, na sua linguagem de números frios.
Um exemplo paradigmático desta observação diz respeito às diversas formas de educação sexual e de medidas que se tomam, no sentido de “democratizar” ou de “banalizar” o acto sexual, nomeadamente entre as camadas jovens da população.

Há quem opine que esta prática não é jamais um acto trivial, como comer um gelado.

Que ele deve reservar-se para situações e condições muito específicas da vida humana, que comportam intimidade, estabilidade relacional, confiança mútua e aceitação das consequências deste acto, que tem a ver com a sua possibilidade procriativa. Para os defensores desta perspectiva, o matrimónio erige-se como o grande paradigma da boa prática sexual.

Nesta ordem de ideias, os resultado degenerativos que dela podem advir estão naturalmente controlados por uma certa higiene salutar, que se não os evita a 100%, redu-los a níveis muito baixos e, além disso, com os conhecimentos médicos dos nossos dias, são facilmente contornáveis.

Outros, porém, advogam que tudo isso não passa duma visão ideológica e moralmente obsoleta, fruto de preconceitos e tabus arcaicos, sustentados numa base de ética ligada a sentimentos religiosos que só são compreensíveis – se é que o são – por quem os aceita. Ou então, causada por um medo patológico oneroso, que a sociedade, ao longo dos tempos, nunca quis encarar de forma isenta e sem preconceitos.

No fundo, consideram tal via como anti-natural, porquanto evita que duas pessoas – mesmo muito jovens – possam ter relações sexuais, manifestando assim uma dimensão comportamental humana espontânea e natural, que não deve ser evitada e, muito menos, reprimida, pois pode causar traumas irreversíveis.

Pensar desta maneira comporta, porém, desafios complexos. O acto sexual pode ser procriador quando executado naturalmente. A natureza dotou o ser humano desta capacidade. Daí que, se um jovem e uma jovem se unem, uma das consequências prováveis dessa união é a geração dum filho.

A partir deste dado, tal orientação sobre a sexualidade, que quer respeitar a inclinação natural e espontânea do rapaz pela rapariga e vice-versa, deveria alertar, com esmero e rigor, os jovens para o facto de nem sempre a rapariga se encontrar preparada para ter relações sem sofrer no seu seio as consequências da gravidez.

Daí a conveniência de esclarecer que nem sempre é possível tal prática, porque a natureza assim o reclama. O acto sexual só deve ser possível nos chamados períodos infecundos da rapariga, a fim de evitar as gravidezes indesejadas. Esta realidade manifesta com clareza que a sexualidade não é uma actividade aleatória, apenas dependente do desejo e do instinto que lhe é próprio, pois requer moderação e oportunidade.

Talvez por entenderem que o ser humano, que tantas preocupações ecológicas demonstra em relação aos outros seres, parece não ter capacidade ecológica sobre a sua vida sexual – por não se lhe aplicar neste aspecto concreto normas tão redutoras ou limitativas? Por haver sinais de fractura na sua estrutura psico-biológica que se encontra alterada ou obtusa e, nessa medida, em situação de impossibilidade de respeitar a natureza? Ou por outras razões que não conseguimos, de momento, vislumbrar?

O que é certo é que os seus defensores enveredam por caminhos de controlo artificial da vida sexual (uso do preservativo, pílula anti-conceptiva, pílula do dia seguinte, aborto provocado, etc.), com o fim de facilitar a sua prática e evitar, por um lado, as gravidezes indesejadas e, por outro, a propagação de doenças venéreas, que são perigosas e, às vezes, letais. Mas estão muito longe de o conseguir.

Deixamos alguns dados, referentes ao Reino Unido. Num estudo publicado pelo British Medical Journal (BMJ 321; 488, 2000) conclui-se que o uso de qualquer medida de contracepção de emergência não só diminui, como triplica o índice de abortos.

Num outro exemplar do mesmo órgão científico, relativo ao ano de 2002, em que se procurou estudar a incidência das campanhas e programas escolares no sentido de retardar a actividade sexual dos jovens, aumentar o uso de anti-conceptivos e a redução de gravidezes de adolescentes, verifica-se que nenhum dos três objectivos foi conseguido.

Nem sequer o uso da pílula do dia seguinte (de livre aquisição por adolescentes britânicas a partir dos 16 anos desde Janeiro de 2001) teve grandes efeitos, pois apenas logrou diminuir anualmente 5 gravidezes por cada 10.000 usuárias (cfr. Human Reproduction, 19; 553, 2004). Quanto às doenças de transmissão sexual, regressamos ao British Medical Journal (332; 1135, 2001): nos últimos cinco anos, as infecções de chlamídia aumentaram 70%; 55% as de gonorreia e 54% as de sífilis.

Num estudo mais recente (BMJ, 327; 62, 2003), diz-se o seguinte: nos últimos seis anos, período no qual as inglesas usaram mais a pílula do dia seguinte e se insistiu com maior veemência na campanha do preservativo, a gonorreia aumentou 86%, as infecções por chlamídia 108% e a sífilis 500%.




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